A crise das livrarias

Uma em cada cinco livrarias da base de dados do Ministério da Cultura já não existe e, das restantes, só um terço cumpre os requisitos para ser livraria.

De acordo com um estudo desenvolvido pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES), do Instituto Universitário de Lisboa, encomendado pela APEL, sobre a evolução do setor livreiro – “Comércio livreiro em Portugal – Estado da arte na segunda década do século XXI” –, entre 2004 e 2012 o número de empresas de retalho de livros como atividade principal passou de 694 para 562.

A causa parece estar na situação de asfixia que vivem as livrarias independentes, facto que terá levado ao encerramento de muitas, algumas delas históricas, como a Aillaud & Lellos, a Book House, a Bulhosa Livreiros, ou a Pó dos Livros, todas em Lisboa, para além de outras, como a Leitura, no Porto. Tal asfixia deriva do incumprimento da lei da concorrência e da lei do preço fixo por parte das grandes cadeias de livrarias, de acordo com o Grupo de Trabalho sobre Livrarias, nomeado pela tutela.

Neste contexto, o Ministério da Cultura decidiu fazer um levantamento das livrarias portuguesas, e da sua localização, através de inquéritos diretos, o último dos quais em finais de 2017. Na base de dados de livrarias que a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) possui constam 558 registos que englobam livrarias, papelarias, livrarias/papelarias, nas suas diferentes áreas de especialidade: alfarrabistas, infanto-juvenis, generalistas, banda-desenhada, municipais, técnicas/especializadas que abrangem o continente e as ilhas, disse à Lusa fonte daquele organismo.

Através dos inquéritos enviados às livrarias constantes da base de dados da DGLAB, verificou-se que 22% “vieram devolvidos”, o que significa que as livrarias em causa já estavam encerradas ou os seus endereços desatualizados. As restantes 438 livrarias, só 189 – menos de metade – responderam ao inquérito e dessas “só 130 respeitam os requisitos básicos para uma livraria definidos pelo grupo de trabalho”.

As grandes cadeias a par das vendas online e da falta de apoios estatais parecem ser as razões pelas quais é tão difícil abrir e manter uma livraria digna desse nome e estatuto.