A famosa Renault 4L não está de volta

Nos últimos tempos, aparecem notícias nos media e nas redes sociais a anunciar que o modelo icónico da Renault, a 4L está de volta. Não é verdade… apesar das fotos…

A Renault 4L, apresentada a 3 de agosto de 1961 é hoje um veículo de culto. Então tinha um motor de quatro cilindros, uma caixa de três velocidades em linha e 603 cm3, uma potência de 20 cv que às 4.700 rpm atingia velocidade máxima de 95 km/h e um consumo médio na ordem dos 15 km/l. O interior era extremamente simples, acomodando bem quatro passageiros em bancos básicos, que só tinham forro. O espaço para bagagem também era razoável, podendo chegar a 950 litros sem assentos traseiros. À frente do volante de três raios ficavam apenas o velocímetro e marcador de combustível, e o retrovisor no centro do painel do habitáculo.

Como aconteceu com tantos carros icónicos, este modelo podia ter um upgrade, ou modernização. Podia, mas não aconteceu de facto. Ficou no papel. E quem o desenhou (e sonhou) foi David Obendorfer, um jovem formado em design industrial na MOME Moholy-Nagy University of Art and Design de Budapeste e que trabalha na Officina Italiana Design de Mauro Micheli e Sergio Beretta, a desenhar iates.

Criar versões modernizadas de carros clássicos é o seu hobby, sobretudo pequenos carros italianos e franceses dos anos 60. E este projeto, que representa uma proposta de modernização do emblemático Renault 4, é a resposta de Obendorfer ao concurso “Renault 4 Ever”, lançado pela Renault em 2011, em collaboração com a revista online “Designboom”, que veio desafiar designers de todo o mundo a projetar para o papel uma homenagem artística aos automóveis da popular construtora Francesa.

Como método de expressão artística, Obendorfer tentou projetar visualmente o impacto que o Renault 4L teve na sua infância, resultando assim numa proposta automóvel de carácter simples e funcional, que, apesar de moderna, preserva o verdadeiro espírito do tradicional 4L. O resultado é uma magnífica reinterpretação estilística de um dos maiores clássicos da Renault, que se assume com um exemplo perfeito de como os velhos clássicos podem ser eficazmente recuperados e modernizados sem perderem todo o charme que os caracteriza.