A literatura, a “devotion” de Patti Smith

Patti Smith, a lendária punk rocker, a eterna diva do underground, a amante da poesia de Rimbaud e do espírito romântico e autodestrutivo da velha Europa, acaba de publicar um novo livro, “Devotion”.

Patti Smith define “Devotion” como o livro que define como “uma investigação sobre o que significa ser artista” e não ter mais remédio a não ser viver em outro mundo, e também no real.

“Quando você tem um dom, é impossível se dedicar simplesmente a viver. É como se você tivesse duas cabeças. Uma está tentando viver quanto a outra está tentando criar. Isso me acontece com frequência quando estou em casa, rodeada de gente, e tenho que me fechar no banheiro com um caderno porque tive uma ideia”, explica.

No enredo do livro, a protagonista, uma patinadora, acaba por destruir um oponente poderoso, numa semelhança evidente com a situação atual da América. Patti comenta assim a similitude: “A única coisa que eu pediria à nova ascensão do feminismo é que faça com que a relação entre homens e mulheres se fortaleça, que de modo algum nos separe, porque somente juntos podemos enfrentar os desafios do futuro.” “Donald Trump é um insulto para todos, e em especial para as mulheres”, diz. “Estou com raiva e fico envergonhada ao pensar que a humanidade está a premiar este tipo de homem com postos de poder. Não se deve ceder nenhum palmo de terreno. Temos de lutar. Podemos fazer isso. Sobreviveremos a Trump. O mundo sobreviveu a tudo”, acrescenta.

“O artista total sempre existiu. E graças às novas tecnologias, as novas gerações estão mais confortáveis com a ideia de que qualquer área é um meio, não um fim. Eu não me dou nada bem com elas. Não com as novas gerações, mas com as novas tecnologias. Sou da velha escola. Ainda vivo no século XX.”

“Pode-se dizer que sou uma devota da escrita, ou que a escrita é de mim. Sentimos devoção uma pela outra. Não posso imaginar minha vida sem escrever. Se só pudesse ficar com uma coisa, ficaria com a literatura.”