A Lua e a Terra: divórcio à vista?

Lembra-se da série de ficção científica “Espaço 1999”, em que a Lua se afasta da Terra devido a uma explosão nuclear em solo lunar? Pois, isso está a acontecer naturalmente.

A Lua está a afastar-se da Terra a uma média de quatro centímetros por ano (3,78 cm/a). Quem o mostra é o estudo de Stephen R. Meyers e Alberto Malinverno, da Universidade de Wisconsin, em Madison, Estados Unidos.

No estudo, publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências, os investigadores explicam o método que encontraram para rebobinar o relógio da Terra vários milhões de anos. O procedimento matemático permitiu uma imagem aproximada do que seria a duração de um dia na Terra há mais de mil milhões de anos, o que poderá explicar melhor as evidências de mudanças climáticas que ficaram registadas em rochas antigas.

Explicar a incerteza da relação entre a Terra e a Lua ao estudar amostras de rochas foi o propósito dos investigadores, completando, nesta “teoria astronómica, dados geológicos e uma sofisticada abordagem estatística”, o que lhes permitiu classificar, com precisão, as camadas rochosas incrivelmente antigas (como a “Xiamaling Formation” no norte da China, que tem 1,4 mil milhões de anos), determinando como era a Terra, qual a duração dos dias e a distância da Lua, naquele momento da história geológica.

De acordo com a teoria, matematicamente sustentada, outrora a Terra tinha os dias muito mais curtos, realizando uma rotação a cada 18 horas e os dias longos de que desfrutamos hoje são uma cortesia da Lua, que está a afastar-se da terra devido ao efeito atração-repulsão gravitacional, que, no universo, todos os corpos exercem sobre os outros.

Alguns dados parecem faltar nesta equação, uma vez que a Lua tem aproximadamente 4 mil milhões de anos e sempre nos teve por companhia.