Afinal, afinal… beber álcool faz sempre mal…

Relatório do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) revela que até mesmo apenas um copo de álcool é prejudicial para a saúde…

De acordo com o estudo do IHME, publicado na revista “Lancet” o consumo de álcool é sempre mau, não havendo qualquer nível de consumo seguro. Tal conclusão resultou da análise dos níveis de consumo de álcool e dos efeitos na saúde em 195 países entre 1990 e 2016, utilizando os dados de 694 estudos sobre a rotina de consumo e 592 sobre os riscos na saúde de 29 milhões de pessoas. Os resultados deste estudo ao longo do tempo mostram que, das 100 mil pessoas que não bebiam álcool, 914 desenvolveram doenças associadas ao consumo de álcool. Mas o número subia para mais quatro se houvesse consumo de uma bebida por dia, aumentando os riscos quanto mais as bebidas consumidas: duas bebidas diárias aumenta o número sobe para mais 63 pessoas e cinco ou mais para 338 pessoas.

Segundo Max Griswold, o autor principal do estudo, citado pelo The Guardian, “o consumo de álcool é um grande fator de risco para doenças e causa a perda substancial de saúde. Descobrimos que o risco de mortalidade, especificamente de cancro, cresce com o aumento dos níveis de consumo, e o nível do consumo específico que minimiza a perda de saúde é zero”.

Admite-se, como mostram outros estudos, que um copo de vinho, por exemplo, ajude a proteger de doenças cardíacas, mas os riscos inerentes ao consumo, mesmo mínimo, superam os benefícios.

O estudo dá ainda alguns dados sobre o consumo de bebidas alcoólicas a nível mundial e confirma que, em 2016, 2.8 milhões de mortes foram provocadas pelo consumo de álcool, tendo sido o fator de risco dominante para a morte prematura no grupo de pessoas entre os 15 e os 49 anos.

Portugal surge em segundo lugar com uma média de sete bebidas por dia, logo a seguir à Roménia (oito bebidas) e antes do Luxemburgo (também com sete bebidas), em termos de quantidade de bebidas diárias consumidas pelos homens. Em relação às mulheres, Portugal não faz parte dos dez primeiros, com duas bebidas diárias.

Conclusão:  é necessário “rever as políticas de controlo do álcool e os programas de saúde e considerar as recomendações de abstenção do álcool”, incluindo impostos sobre as bebidas alcoólicas, a quantidade disponibilizada, as horas de venda e o controlo da publicidade.

É, ainda, necessário desmistificar alguns mitos ou (estudos) ideias-feitas!