Ainda o vinho que deve ou não beber…

Uma investigação comparou 9 mil pessoas entre os 35 e os 55 anos, umas que são abstémias e outras que consomem mais do que o equivalente a uma garrafa e meia de vinho por semana e conclui que quem não bebe apresenta um risco maior de envelhecimento cerebral.

De acordo com o estudo, da publicação médica “The BMJ”, que seguiu nove mil londrinos ao longo de 23 anos, as pessoas entre os 35 e os 55 anos que são abstémias e as que consomem mais do que 14 unidades de álcool por semana (o equivalente a uma garrafa e meia de vinho) conclui que existe um risco maior de envelhecimento cerebral nos que não bebem, o que é confirmado por estudos anteriores, que tinham apontado para o efeito protetor das bebidas alcoólicas, sobretudo do vinho tinto.

As principais conclusões foram as seguintes: o risco de demência é mais elevado naqueles que se abstêm de beber álcool na meia idade; o consumo de álcool, superior a 14 unidades por semana, aumenta igualmente o risco de demência, de forma proporcional (quanto mais se bebe, maior o risco); em parte, o risco de demência nos abstémios está relacionado com a ocorrência de doenças metabólicas (hipertensão, diabetes) neste grupo.

No entanto, o estudo apresenta alguns problemas de validade, como o facto de ser um estudo observacional, ou seja, que não permite avaliar uma relação de causa e efeito e, ainda o facto de nada se saber acerca do hábitos de consumo antes dos 35 anos, sendo bastante provável que um abstémio tenha um passado de abuso de álcool, como alertou o Instituto de Investigação em Alzheimer do Reino Unido.

Estas controversas conclusões não deixam de levantar dúvidas entre a comunidade científica e e inclusive os próprios autores do estudo, cientistas do Instituto Nacional Francês de Pesquisa Médica e Saúde, Inserm, e da University College, em Londres.inRead invented by Teads, enfatizando que as conclusões apresentadas “não devem ser encaradas como um estímulo ao consumo”, pela comprovada relação entre as bebidas alcoólicas e o cancro, a cirrose e os problemas psiquiátricos