Aquecimento global: 1ºC do não retorno…

A comunidade científica está alarmada: a temperatura global da Terra está a 1ºC de atingir um ponto de inflexão climático que ameaça o futuro da humanidade.

De acordo com um estudo publicado no jornal científico Proceedings of the National Academy of Sciences, órgão oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, o planeta está a apenas algumas décadas de distância do evento que desencadeará o que poderá ser o aquecimento global descontrolado, atingindo-se esse limite quando a temperatura média global for de apenas 2ºC maior do que a dos tempos pré-industriais. Ora, a temperatura global do mundo já está a meio desse limiar, ou seja, já só estamos a 1ºC de atingir esse ponto que pode ser de não retorno.

Os  autores do estudo alertam que, quando esse registo for alcançado, criar-se-á um estado incontrolável de alterações climáticas suscitado por um mega efeito estufa a toda a escala planetária, com consequências assustadoras, com severos riscos para a saúde, com uma alteração radical da paisagem global e, em última instância, a habitabilidade do planeta para a espécie humana e não só.

O estudo refere “elementos de mudança” que podem transformar sistemas de armazenamento de carbono natural em poderosas fontes emissoras de gases de efeito estufa que irão agravar ainda mais a situação. Os perigos do ponto de inflexão foram identificados como o descongelamento do permafrost, a libertação de metano aprisionado no leito oceânico e o enfraquecimento dos sumidouros de carbono terrestre e oceânico.

Outros elementos que podem entrar em descontrolo incluem o aumento da produção de dióxido de carbono pelas bactérias oceânicas, o desaparecimento da floresta amazónica, a falência das florestas temperadas de coníferas, a redução da cobertura de neve no hemisfério norte, a perda de gelo no mar ártico, a redução do gelo marinho antártico e o derretimento das calotas polares.

Torna-se imperativo, segundo os investigadores, a luta contra as alterações climáticas, adotando medidas que provoquem cortes profundos nas emissões de gases de efeito estufa, bem como esforços conjuntos para remover o dióxido de carbono da atmosfera, nomeadamente preservando os sumidouros naturais de carbono e usando a tecnologia.