Arte urbana na Amadora

No âmbito do projeto “Conversas na Rua”, a Amadora ganhou cinco novos murais, que se juntam aos mais de 100 existentes na cidade.

Catarina Valente, coordenadora do “Conversas na Rua”, projeto da Câmara Municipal da Amadora,  que surgiu para “promover a arte pública mural na cidade, desde a década de 1970, com a pintura mural política, muito presente na cidade à época, e depois com o ‘graffiti’, que entrou nos anos 90, com bastantes murais a surgirem”.

Esta responsável acredita que “esta pode ser uma forma de democratizar o acesso à Arte, tornar um pouco mais aprazível a paisagem urbana e, por outro lado, fazer com que as pessoas se aproximem mais do espaço público, o vivenciem mais”.

O projeto inclui artistas “que vieram da arte pública mural”, como Odeith ou Pantónio, mas também “outros com outros ‘backgrounds’, dispostos a aceitar o desafio de vir para a rua”. Caso do arquiteto e ‘designer’ gráfico Pedro Peixe, do Estúdio Altura, que pintou este verão na Amadora o seu segundo mural.

Este ano, Vasco Santana (na parede de um prédio na zona da Falagueira, perto da estação de metro Amadora-Este) juntou-se a Carlos Paredes, Amália Rodrigues, José Afonso e Fernando Pessoa, figuras que Odeith, um ‘filho da terra’, começou a pintar em prédios naquela zona em 2015, ano da primeira edição do “Conversas na Rua”. Odeith demorou entre cinco e sete dias a pintar cada um dos murais, “tudo a ‘spray’ e com a ajuda de uma grua”, tendo usado “entre 150 e 280 latas, dependendo da altura de cada um”.

Pantónio demorou um pouco mais – dez dias – a pintar a fachada da Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC), onde tentou “não fazer uma história fechada, mas dar só a sugestão de que há uma história, para que quem passa tente imaginar essa história”. No mural que agora criou pela primeira vez na Amadora tentou “brincar com a cor de fundo [a fachada da ESTC está pintada de amarelo]”, da qual inicialmente “não assim gostava tanto”, acabando por “tentar aproveitar para pô-la a interagir com elementos brancos”.

Com estes convites a artistas de outras áreas, explicou Catarina Valente, o projeto visa “promover a diversidade de linguagens, que vai corresponder ao que é a cidade da Amadora, uma cidade com bastante diversidade cultural”.

Para que possa fazer-se “uma viagem pela arte urbana da Amadora”, foi feito um levantamento fotográfico dos murais ali existentes, reunidos num mapa disponibilizado ‘online’.