Até 15 de outubro há Conversas de Arquitetura (em exposição)

Patente na Biblioteca de Serralves, a exposição mostra a conversa inicial em formato espacial que envolve três arquitetos: Kersten Geers, David Van Severen, Go Hasegawa e a história da arquitetura.

“Trata-se de uma conversa iniciada pelo CCA — Centro Canadiano de Arquitetura, uma instituição fundada na convicção de que estudar as ideias da arquitetura implica usar o passado e o presente como instrumentos para perspetivar o futuro”, pode ler-se na nota de imprensa.

São diversas as questões com que foram e são confrontados os arquitetos e sobre as quais a exposição se debruça: “Questionar a sua relação com aquilo que existiu antes de si; interessar-se pela história e pela forma como influencia o seu trabalho; como estudar a arquitetura do passado? Porque existe neste momento um interesse renovado pela história, numa era em que parece estarmos a viver um conceito interminável de presente?”

“Conversas de arquitetura” é uma exposição que, aliada à riqueza das palestras e à discussão que geram, constitui “um depoimento que responde a tudo isto”, garante a Fundação.

O formato de uma conversa é flexível, a ponto de permitir que esta permanece “suspensa e em aberto”. Uma conversa que tenta, por conseguinte, clarificar os seus termos mantendo a sua ambiguidade verbal e transfere para o espaço um argumento intelectual sem pretender esgotá-lo. Esta conversa é sobre a construção de uma nova narrativa da arquitetura em torno do trivial e do banal, em torno da materialidade da arquitetura e de como se conjuga, tanto conceptual como composicionalmente. É sobre a redescoberta de elementos arquitetónicos muito simples (como a coluna ou o telhado), de elementos tipológicos (revelados num interesse obsessivo na planta ou no corte de um edifício) e outras coisas mais.

Tudo isto pode ser lido como uma espécie de novo manifesto, em que os arquitetos combinam referências históricas escolhidas e o seu próprio trabalho para construir um novo enquadramento para a arquitetura de hoje, baseado na banalidade aparente, na celebração do trivial, na definição de um caráter específico, na redução intencional dos meios de construção e na precisão da resposta.

Kersten Geers, David Van Severen e Go Hasegawa pertencem a uma geração nascida na segunda metade dos anos setenta, que não só tem desenvolvido uma consistente série de projetos e obras, mas também apresentam uma clara posição teórica. As suas vozes estão muito presentes e são ouvidas com força na conversa mais ampla que a disciplina da arquitetura está a desenvolver nesta segunda década do século XXI.

A exposição é organizada pelo Canadian Centre for Architecture (CCA) e comissariada por Giovanna Borasi, curadora geral no CCA.  Adaptação curatorial por Carles Muro, curador adjunto dos programas de arquitetura do Museu de Serralves.