Baralho que dá cartas: ensina a ler!

O projeto é o vencedor da 6.ª edição do Prémio Maria José Nogueira Pinto em Responsabilidade Social, por ser aquele que mais corresponde ao conceito "socialmente responsável na comunidade em que nos inserimos". Um baralho bem inclusivo.

Um baralho único e já vencedor de prémios. Celmira Macedo, professora do ensino especial de Bragança, com o propósito de desenvolver a linguagem e a comunicação, competências de literacia, a imaginação e a criatividade, as capacidades psicomotoras, o pensamento crítico, as atitudes inclusivas e a inteligência social e emocional em pessoas com mais dificuldades, criou em 2015, um baralho composto por 26 cartas, para ensinar a ler e escrever. Cada carta tem uma letra do alfabeto e combina quatro formas de comunicação: a gráfica, o braille, a língua gestual portuguesa e o alfabeto fonético. e já ensinou mais de 2800 crianças (e também adultos) a ler e escrever em Portugal.

 


O chamado baralho EKUI (Equidade Knowledge – Universalidade Inclusão) é uma metodologia de alfabetização e reabilitação inclusiva, única em Portugal e no mundo, sendo já utilizado em 302 escolas, espalhadas por 36 concelhos do país e mais de 2.800 crianças já foram alfabetizadas com recurso a este projeto. O objetivo principal é mostrar que as crianças com necessidades educativas (e os adultos portadores de deficiência) não precisam de sair da sala de aula, onde estão os seus colegas, e serem ensinadas à parte.

De acordo com o EKUI, mais de 37.000 pessoas beneficiaram deste projeto que promove a educação e a comunicação, através de diferentes atividades, como formação de professores, terapeutas e educadores e rastreios nas escolas. Para dar continuidade ao projeto, a Associação Leque pretende desenvolver uma app e tutoriais digitais, com o objetivo de aumentar o impacto social e chegar a um maior número de pessoas.

O prémio, cujo júri foi presidido por Maria de Belém Roseira e composto por Anacoreta Correia, Clara Carneiro, Isabel Saraiva, Vítor Feytor Pinto, Jaime Nogueira Pinto e Pedro Marques, em representação da Merck Sharp and Dohme (instituição promotora), contou com a candidatura de 125 projetos inovadores, provenientes de instituições privadas de solidariedade social de vários pontos do país.

Além do 1.º prémio, no valor de 10 mil euros, foram atribuídas 4 Menções Honrosas, no montante de mil euros.