“Casa de Férias” de Fernanda Fragateiro em Bragança

Até 2 de junho Bragança recebe a exposição "Casa de Férias", de Fernanda Fragateiro, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, uma obra grandemente materializada em projetos de arte pública.

O trabalho de Fernanda Fragateiro (Montijo, 1962) estabelece uma profunda relação não só com a arquitetura ou a paisagem que o acolhe, mas também com as práticas artísticas do século XX, particularmente com o minimalismo e as vanguardas russas.

“O Centro de Arte Contemporânea Graça Morais tem vindo a ter esta capacidade de atrair excelentes artistas e neste caso concreto, a Fernanda Fragateiro, que expõe aqui, pela primeira vez, as suas peças de escultura, trazendo obras de arte excelentes, faz com este espaço seja cada vez mais dinamizado e aumente assim o número de visitantes”, palavras de Hernâni Dias, Presidente da Câmara Municipal de Bragança, no âmbito da inauguração da exposição, realizada a 30 de março.

Sobre a exposição e autora

Na sua depuração formal ou na ancoragem ao uso repetido de materiais, como blocos de betão, espelhos ou fragmentos de alvenaria, as suas esculturas e instalações parecem encontrar no espaço arquitetónico que ocupam o suporte físico para a sua existência, desencadeando com ele, seja uma parede, o chão ou o teto, mais do que um diálogo, uma relação de mediação.

A arquitetura interessa, por isso, a Fernanda Fragateiro como referência ou enquanto “matéria construtiva” de distintos modos: seja porque as suas esculturas requerem um determinado espaço para existir, seja porque o espaço é transformado em objeto de perceção através da sua intervenção escultórica.

As soluções plásticas encontradas pela artista caracterizam-se ainda por uma marcada interdisciplinaridade, onde se cruzam e relacionam diferentes expressões, mesmo aquelas que não pertencem ao domínio do artístico, mas do social, do documental, ou até do performativo, desencadeando uma complexa rede de leituras.

Ao longo do seu percurso artístico, as obras desenvolvem-se no sentido de uma investigação sobre o espaço nas suas variadas manifestações fenomenológicas, seja sob a forma de ruina, como jogo de reflexos, como lugar habitado, como arquivo de materiais ou como mero exercício abstrato, ao mesmo tempo que mantêm uma perspetiva socialmente determinada e até interveniente, como sucede na obra 6 de Maio, construída a partir de destroços do recentemente demolido Bairro 6 de Maio, na Amadora.

A presente exposição reúne um número significativo e heterogéneo de obras produzidas pela artista nos últimos anos, sublinhando, de modo particular, a natureza integradora, quase cirúrgica, das suas esculturas e instalações no espaço arquitetónico de Souto de Moura, ao mesmo tempo que o reconfiguram e transformam.