Colômbia reencontra tesouro antropológico de 12 mil anos

Na selva, agora sem guerrilha, Colômbia reencontra tesouro antropológico de 12 mil anos

Devido à guerrilha, milhares de pinturas rupestres estiveram ocultas por anos na selva da Colômbia, no Parque Natural Chiribiquete e na cordilheira La Lindosa, localizados na região da Amazónia colombiana, especificamente nos departamentos de Caquetá e Guaviare, com uma área de 4 268 095 hectares, constituindo a maior área protegida do sistema de parques naturais daquele país.

Sabia-se da existência destas pinturas com mais de 12c mil anos, mas só agora, alcançada a paz com os guerrilheiros das Farc, foi possível estudar com detalhe e cuidado tal património, como explica Ernesto Montenegro, diretor do Instituto Colombiano de Antropologia e História: “Somos parte da população que o processo de paz beneficiou. Esta região, que era o epicentro da guerra na Colômbia, passou por uma transformação importante, pois não há mais tantas pessoas armadas por aqui”.

Céline Valadeau, antropóloga do Instituto Francês de Estudos Andinos, acrescenta que “ainda há muito por descobrir. Há muitas regiões nas quais nem se sabe se há algo para descobrir ou não”.

É difícil saber, com precisão, a data das pinturas, dado que não foram feitas com componentes orgânicos e também porque a tinta usada, uma mistura mineral rica em manganês, fica laranja quando oxida.

Estes são agora lugares de grande importância para o património arqueológico da Colômbia, porque são locais com a maior concentração de arte rupestre do mundo, dando conta das interações pré-hispânicas entre diferentes povos da Amazónia e da Orinoquía.

Neste contexto, foi construído o Plano de Manejo Arqueológico (PMA) e a área declarada como nova Área Arqueológica Protegida (AAP), nyma articulação entre o Instituto Colombiano de Antropologia e História, entidade vinculada ao Ministério da Cultura, a Universidade Nacional da Colômbia e  os governo regionais.