Como lidar com a Síndrome de Asperger

“A Síndrome de Asperger é uma perturbação neurocomportamental de base genética. Pode ser definida como uma perturbação do desenvolvimento que se manifesta por alterações sobretudo na interação social, na comunicação e no comportamento. Embora seja uma disfunção com origem num funcionamento cerebral particular, não existe marcador biológico, pelo que o diagnóstico se baseia num conjunto de critérios comportamentais” – pode ler-se no site da APSA – Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger, Instituição Particular de Solidariedade Social, sem fins lucrativos, que nasceu em Lisboa, em 2003, por vontade de um grupo de pais.

A vida em sociedade leva a que muitos pais, ainda antes do período de gestação, comecem a idealizar o desenvolvimento dos seus filhos, características físicas ou de personalidade. Imagine que acaba de ser pai ou mãe, sobretudo de primeira viagem, e que com o tempo se apercebe que há algo de diferente com o seu filho. Na verdade, quando é diagnosticado a um filho algum tipo de diferença ou incapacidade há que reaprender a parentalidade. Com o devido acompanhamento e apoio familiar, a criança com o Síndrome de Asperger poderá ter um percurso académico perfeitamente normal e ser até um adulto de sucesso.

O segredo está em aceitar essa realidade e em ter a capacidade de se adaptar a uma nova realidade. Não é fácil mas é possível acontecer. Trata-se até de uma tarefa desafiante, mas os pais têm de saber lidar com essa adversidade.

 A identificação da doença é subtil e como tal nem sempre é fácil aos pais aperceberem-se que algo de anormal se passa com o seu filho. É um tipo de doença que se encontra atualmente classificada pela Associação Americana de Psiquiatria (no DSM-5) como uma Perturbação do Espetro do Autismo. Como tal, é uma perturbação do desenvolvimento que se manifesta através do comprometimento no desenvolvimento da criança em três grandes domínios: nível social (interação social), comportamental e comunicacional. Esta perturbação tem um início precoce na infância, mas geralmente apenas é identificada mais tarde, quando as exigências sociais pressionam os limites das suas capacidades de interação.

A ajuda de técnicos especializados pedopsiquiatras e psicólogos é fundamental. Eles poderão ajudar e apoiar, não só a criança com Síndrome de Asperger, de modo que possa tornar-se num adulto com uma vida normal, mas também podem apoiar a família, ganhando com isso, todos, mais qualidade de vida.

Muitas vezes, os primeiros sinais são notados quando os pais detetam dificuldades ao nível do relacionamento com os outros. Antes disso, apenas eram considerados como tímidos, reservados e com algumas brincadeiras peculiares, mas sem que existissem sinais evidentes da doença.

Uma boa forma de ajudar uma criança com Síndrome de Asperger é observar e respeitar os ritmos individuais de aprendizagem da criança, estimulando quer a sua interação social positiva com outras crianças, quer como com a sua própria família.