Convulsões febris: o que cada pai deve saber

São convulsões que surgem em crianças saudáveis, entre os 6 meses e os 5 anos de idade (pico entre os 12 e 18 meses), no início de uma doença febril. Em alguns casos, a convulsão é mesmo a primeira pista de que a criança está doente.

Ocorrem em 2-4% das crianças até aos 5 anos. Existe uma tendência familiar, sendo possível identificar em dois terços dos casos episódios semelhantes que ocorreram nos pais ou irmãos.

O sistema nervoso central da criança pequena é mais vulnerável a uma subida rápida da temperatura, e existe uma maior excitabilidade, pelo que estas crianças podem mais facilmente iniciar uma ativação excessiva e sincronizada de um circuito de neurónios, que se traduz na convulsão.

São convulsões na maioria dos casos breves (menos de 5 minutos) e embora pareçam durar “uma eternidade”, frequentemente param sem qualquer intervenção. Após a convulsão é habitual a criança ficar sonolenta ou mesmo confusa durante alguns minutos, voltando depois ao seu estado habitual. Apesar de serem situações benignas, autolimitadas e relacionadas com a idade, constituem uma causa importante de sofrimento e angústia para os pais.

Perante uma convulsão, o que devem os pais ou cuidadores fazer?

1- O mais difícil e o mais importante é não entrar em pânico.

2- Deitar a criança de lado, num local seguro onde ela não se possa magoar.

3- NÃO deve colocar nada na boca da criança (dedos, colheres, espátulas…).

4- Controlar o tempo, e anotar as horas em que começou e terminou.

5- Se não for a primeira convulsão, os pais podem já ter em casa clisteres de diazepam, um medicamento que se utiliza para parar a convulsão.

6- Se a convulsão não parar devem contactar os Serviços de Emergência (por exemplo, ligar 112). Após a convulsão devem sempre dirigir-se ao Serviço de Urgência para uma avaliação cuidadosa da situação. Pode ser necessário ficar em observação durante algumas horas para averiguar e tratar a causa da febre.

7- Nesta fase devem também baixar a temperatura com paracetamol ou ibuprofeno.

Cerca de um terço das crianças voltam a ter uma ou mais convulsões febris, mas é impossível de prever quando ou em que crianças. O risco parece ser maior nos primeiros 6 a 12 meses após a primeira convulsão, e nos casos em que a convulsão surgiu no primeiro ano de vida ou quando há história de convulsões na família.

O risco de vir a ter epilepsia, isto é, de vir a ter convulsões sem febre, é muito sobreponível ao da população em geral.

A mensagem final é que, apesar de assustadoras, não causam problemas a longo prazo (danos cerebrais) nem afectam a inteligência.