“É bom saber que existem cada vez mais festivais de jazz”

À conversa com Inês Pimenta.

A propósito da edição de 2019 do festival Matosinhos em Jazz, a DAT News falou com Inês Pimenta.“Son of a Daedalus é o seu EP de estreia a solo, o seu tão desejado voo, que deliciou a critica. Uma conversa que passou em desfile a sua ainda curta, mais promissora carreira. Confira.

Inês Pimenta cedo se encontrou na música. Estudou-a até querer, e distraiu-se com afinco na Arquitetura, no design, na ponderação e na timidez.

Lançou o seu EP pela Sintoma Records, “Son of Daedalus”, onde Ícaro é só a personificação daquilo que quer cantar. Não ter medo.

As canções são o percurso e as histórias que vive e que vê, são também a música que ouve e que ouviu. O tom é jazzístico e também a formação.

“Son of Daedalus”, são as suas canções e composições. Um Ícaro que só precisa de acreditar no voo.

Como e quando nasceu a paixão pela música?

Desde miúda gostei sempre de música. É uma verdade a que não posso fugir. Sempre fui uma criança bastante musical. Aprendi piano no conservatório durante algum tempo e depois, quando fui para a faculdade (arquitectura) na altura da tese achei que gostava de explorar o jazz de outra forma. Basicamente fui ter aulas de jazz com a professora Joana Espadinha. Na verdade foi ela que me incentivou a seguir em frente. Comecei a estudar canto jazz. Depois fui para Amsterdão e fiz um ano de conservatório.

Quando voltei, havia uma serie de temas que tinham sido construidos ao longo do tempo e que eu depois encontrei coragem de os trazer cá para fora.

Participou em vários projetos. Sequin, por exemplo. De que forma esses projetos te marcaram como background?

Principalmente foram importantes a nível de palco. Deu-me alguma experiência e à vontade que eu não teria de outra forma.

Eu fazia vozes, toquei teclados e foi super valioso para ver também como se faz.

Referiu numa entrevista que, à semelhança de uma peça, este álbum cresce em atos. Pode desvendar isso?

Eu faço video e já o fazia antes. Fiz alguns teasers para pessoas do jazz. E foi algo muito natural. Comecei assim a explorar outro lado que adoro, o cinema. E depois juntei estes quatro temas que, na verdade, eram o seguimento do voo. O primeiro acto, representa a luta de dois jogadores de boxe, amigos meus. Depois passa para um voo,que na verdade aparece sob a forma de skate, com duas pessoas, outra vez, de quem eu gosto muito, da adolescência. Por fim, no terceiro ato, dá-se a efectivação desse voo, com o pai e o filho.

Como decorreu o processo de gravação?

Foi um dia de gravação, tendo sido bastante rápido.

Como tem sido a receptividade do público?

Surpreendentemente positivo porque ninguém me conhecia até setembro passado (risos).

Não esperava vir tocar ao festival de  Jazz de Matosinhos.

Só de estar aqui, neste festival e outros sitios de que me orgulho como o Hot Club , festival de jazz de Mafra, só isso já me faz pensar que valeu a pena.

O que podemos esperar para o concerto no Matosinhos em Jazz?

Os temas do EP, obviamente a  contar a história, e  alguns arranjos de temas de que gosto.

Qual é a tua opinião sobre eventos como o Matosinhos em Jazz?

Super relevante como pessoa que gosta e quer ouvir jazz. É bom saber que existem cada vez mais festivais de jazz e pessoas interessadas em ouvir. O cartaz é muito bom, pois consegue chegar a todos os ouvidos.

E planos futuros… álbum novo em vista?

Sim, claro. Há muitos temas que tenho guardados e que gostava de os transformar. Tenho também alguns inacabados (risos).  Acho que para o ano posso prometer algo…não sei se no inicio ou no fim do ano. Mas quero muito que aconteça uma nova história para contar.