É maluco por viagens?

Cuidado, sofre de Síndrome de wanderlust! Robert Louis Stevenson, o autor de “A Ilha do Tesouro”, também sofria de síndrome de wanderlust. Seria também ele maluco por viagens?

Obsessão por viagens? Foi por isso que Stevenson escreveu: “No meu caso, eu não viajo para ir a um determinado lugar, mas para ir. Viajo pelo prazer de viajar. O essencial é mover-se”. Síndrome de wanderlust é um termo que se refere à obsessão que algumas pessoas têm por viajar. O termo vem de wandern (excursão, viagem, passeio) e lust (desejo, anseio) que, associados, sugerem o “desejo de viajar”. A tradução literal de wanderlust para o português seria “paixão/necessidade de/por viajar”.

Não se trata do desejo de tirar férias, ou de fazer uma viagem por alguma razão específica, mas, antes, de uma necessidade incontrolável por viajar e descobrir novos lugares e culturas diferentes, que afeta homens e mulheres, geralmente entre 20 e 40 anos de idade, que gastam muito do seu tempo a ler guias de viagem, procurando voos, hotéis, albergues, etc. na internet, entre outras atividades similares. Para quem tem esta síndrome, o destino é quase sempre secundário, sendo uma mera desculpa para desfrutar do prazer de viajar.

Além de uma moda, alguns especialistas dizem que a síndrome de wanderlust está, em boa verdade, nos nossos genes, e mais especificamente no chamado DRD4-7r, um recetor de dopamina (neurotransmissor do prazer) que foi batizado como “o gene viajante”.

Para o investigador da National Geographics, David Dobbs, é este gene faz com que as pessoas que o possuem “aceitem melhor mudanças e aventura, e também sintam mais afinidade para assumir riscos em termos de novas ideias, comidas, relacionamentos, etc”. Além de serem também pessoas independentes, criativas, que procuram conhecer novas culturas e outras formas de vida.

Nesta altura, imagino que esteja a perguntar-se: e eu? Eu sofro da síndrome de wanderlust?

Pois bem! Se é daqueles que – tem sempre o passaporte atualizado e acessível para viajar de forma imprevista; não tem medo de sair da zona de conforto e gosta de mudanças; é acossado pela curiosidade em descobrir novos lugares e outras culturas;  todo o dinheiro que economiza destina-se a viver novas aventuras; mal regressa de uma viagem já planeia a seguinte; consulta obsessivamente páginas especializadas na Internet, assiste a documentários sobre destinos ou só privilegia a literatura de viagens – sim, sofre de wanderlust!

Mas não tenha medo! Parece que o único efeito secundário é na carteira!