É possível prevenir o cancro do colo do útero?

O exame de Papanicolau, teste realizado nas consultas de ginecologia, é uma forma muito útil de detetar precocemente o cancro do colo do útero rastreando as lesões curáveis. Este tipo de cancro apresenta-se como um tumor de crescimento lento e é precedido de alterações celulares chamadas displasia em que células alteradas começam a aparecer no tecido do colo do útero.

O que é o cancro do colo do útero?

O cancro do colo do útero é um tumor maligno do aparelho genital da mulher. Constitui a segunda causa de morte em mulheres com menos de 44 anos. Antes do cancro do colo do útero existem uma série de alterações pré-malignas facilmente detectáveis e tratáveis.

Qual(ais) as causas do cancro do colo do útero?

Não restam duvidas de que o vírus do Papiloma Humano (HPV) é o agente causal principal do cancro do colo do útero. Aproximadamente 100 % do cancros do colo do útero são causados por este vírus.

O HPV é considerado o segundo carcinogénio mais importante logo a seguir a tabaco.

É um vírus que é responsável pela infeção sexualmente transmissível mais frequente. Habitualmente a infeção é assintomática (não dá sintomas). A transmissão é muito fácil através de qualquer contacto sexual, genital ou oral. Até 80% da população sexualmente vai ter infeção pelo HPV ao longo da sua vida.

Existem mais de 120 tipos de HPV dos quais cerca de 40 atingem o trato genital (vulva, vagina, colo do útero, pénis e ânus). Em termos clínicos eles agrupam-se em duas categorias: Baixo risco (6 e 11) – nunca foram associados ao cancro mas são os tipos que se encontram em lesões de baixo grau e condilomas/veerugas genitais;  e alto risco (16,18,31,33,45,52,56 e 58) – estão associados ao cancro e às suas lesões percursoras.  Os HPV 16 e 18 estão associados a cerca de 70% de todos os CCU.

Infeção pelo HPV é igual a cancro do colo do útero?

Não! Apesar da alta prevalência e incidência da infeção pelo HPV só uma minoria de mulheres irá desenvolver cancro do colo do útero.

A maioria das infeções pelo HPV são transitórias pois o sistema imunitário da mulher é capaz de eliminar o vírus. Estima-se que a eliminação ocorra em 70% casos ao fim de 1 ano e em 90% ao fim de 2 anos. No entanto, a persistência da infeção é maior com o aumento da idade e com o tipo de vírus (+16). Também outros fatores individuais tais como a imunosupressão, a existência de alterações genéticas, o tabaco, início precoce de atividade sexual e múltiplos parceiros, e outros agentes infecciosos ajudam a perpetuar a infeção.  É  a persistência da infeção pelo vírus que constitui o principal  marcador de risco para o cancro do colo do útero.

É possível prevenir o cancro do colo do útero?

Sim. O cancro do colo do útero é prevenível. A prevenção primária visa impedir a transmissão do agente indispensável ao desenvolvimento da doença (o HPV). Por seu lado, a prevenção secundaria consiste na aplicação de um teste de rastreio para detecção de lesões pré-malignas.

Como prevenção primária temos o uso do preservativo masculino embora saibamos que não protege a 100% contra a infeção pelo HPV pois não cobre toda a área genital. A vacinação contra o HPV é a mais importante medida de prevenção primária pois poderá reduzir a incidência de cancro do colo do útero e das suas lesões percursoras bem como de outros cancros relacionados com o HPV.

Porque é importante o rastreio?

O cancro do colo do útero pode ser evitado. O rastreio é muito importante para detectar precocemente alterações potencialmente graves nas células do colo do útero. Deve ser realizado em população assintomática (sem sintomas) e sem fatores de risco para além da idade e do sexo.

Quem deve/pode fazer o teste de rastreio?

Todas as mulheres com idades entre os 25 e os 60-65 anos, sexualmente ativas, podem e devem fazer o rastreio. O cancro do colo do útero é muito raro antes dos 20 anos e pouco frequente acima dos 65 anos.

Em que consiste o rastreio?

O rastreio consiste, após inspeção dos genitais externos e colocação de um espéculo, numa colheita de células do colo do útero e, para isso, é usada um pequena escova. O exame é habitualmente indolor mas pode ser desconfortável. Este rastreio é também conhecido com a citologia cervical ou teste de Papanicolau.

Que cuidados deve ter antes de fazer o teste de rastreio?

A colheita não deve ser efetuada durante o período menstrual. Deve igualmente ser evitada a atividade sexual nos 2 dias anteriores ao exame, assim como evitada a colocação de cremes, óvulos, uso de preservativos e lubrificantes antes do teste.

E se forem detectadas alterações?

Se forem detetadas alterações não quer dizer que existe um cancro. Há um espectro de alterações com maior ou menor gravidade que poderão se vigiadas e/ou tratadas. Se for um cancro, e este estiver em fase inicial, habitualmente é tratável. Dependendo do tipo de alteração pode ser necessário repetir a citologia e/ou pesquisa de HPV dentro um período de temo. Poderá ainda ser necessário a realização de um exame complementar, a colposcopia.