Entrevista a Paulo Stocker

Paulo Stocker é artista plástico, cartunista e muralista. Catarinense, natural de Brusque, é hoje uma das maiores referências artísticas da Rua Augusta — lugar que fica região central de São Paulo frequentada por inúmeros trendsetters da América Latina e local que escolheu para morar com sua esposa e filha — e também do Brasil.

– Como começou sua carreira de artista?

Comecei profissionalmente no Jornal de Santa Catarina, em Blumenau.

– Afirma que é uma criança que nunca parou de desenhar. O que quer significar exatamente com isso?

Existe uma história que toda criança desenha. Contudo, o artista é aquela que não para de desenhar.

– Diz que desenha praticamente 24 horas por dia. Fá-lo por prazer, vício ou necessidade?

24 horas desenhando é um exagero na verdade. Contudo, sempre que me surge uma ideia eu tenho que desenhar para não perdê-la, e isso pode ser a qualquer hora do dia.

– Atualmente, o campo de atuação hoje está mais ligado a que forma (quadrinhos, quadros, mídias, murais etc.)?

Murais, quadrinhos e esculturas. Aliás, as esculturas dos personagens estão agradando.

– Karl Dixon (cartunista britânico) disse acerca da sua obra: “a maneira como Clovis brinca com os quadrinhos, o modo como caminha por trás deles, como os utiliza como alavanca, a maneira como ele se enrola nos quadros e como se torna uma folha de papel, o tornam um personagem genial pela simplicidade e singularidade.” Como vê e entende estas palavras?

Eu entendo que criei algo novo… E sei que isso é uma composição de muita coisa que conheci ao longo da vida. Não sou bom com palavras. Assim, agradeço aos que sabem escrever e o que tem se escrito sobre a minha obra.

– A sua obra conecta-se muito com o cenário urbano (como o Mural Rua Augusta, altura do número 900- São Paulo; fachada de lojas; camisetas, etc). Faz isso por alguma razão especial?

Eu moro fazem duas décadas em São Paulo. No início eu tinha uma série que se chamava “Concreto urbano”. Ela virou referência para alguns antropólogos, pois não apareciam pessoas, apenas prédios. Os balões de voz saiam das janelas dos edifícios. Era como se o concreto falasse. Quero dizer com isso que o urbano sempre fez parte do meu trabalho. Fui vocalista de um banda punk Hard-core, nos anos 80.

– Nunca usa texto nos seus trabalhos…. É por preguiça ou por confiar na inteligência do leitor?

O dramaturgo Mário Bortolotto definiu isso em uma frase. “O Stocker desenha por não saber escrever.” Creio que foi a melhor crítica até agora. Cruel e honesta.