Escola do século XXI: expectativa vs realidade

A partir do momento em que o 2º ciclo é deixado para trás, os alunos esperam uma etapa na qual consigam não só aprender e interiorizar os conteúdos, mas também levar ensinamentos que lhes sejam úteis no resto das suas vidas, e ainda encontrar respostas para os dilemas que vão surgindo a cada instante. No entanto, o que vão encontrar é um “pouco” diferente.

Porque é que a maioria dos professores insiste em agarrar-se aos manuais? Porque é que não deixam esse enorme aglomerado de papel de lado e tornam as aulas mais interessantes? A resposta é mais simples do que aquilo que se pode pensar. Nem mais nem menos do que isto: porque dá trabalho! Quer se queira quer não, na maioria dos casos, a verdade parece ser esta. Mas por quanto tempo vai perdurar esta mentalidade!? “Se no fim recebo o mesmo e me dá menos trabalho, porquê inovar?”

No entanto, se não houver inovação, o nosso país e os nossos jovens começam a ficar bastante aquém daqueles que nascem nos restantes países desenvolvidos. A preocupação dos professores portugueses, no geral, é “ensinar”, “ensinar”, “ensinar”, debitando matéria atrás de matéria. Ainda que isso implique aulas teóricas atrás de aulas teóricas, o método não muda. Por exemplo, em anos de exame, os alunos são formatados única e exclusivamente para realizar e superar essa prova, sendo que, por vezes, o resultado não é o esperado. Não causa muita estranheza, portanto, que a média dos exames em Portugal seja inferior à média europeia, algo que tem grandes probabilidades de continuar a acontecer enquanto o método de ensino não mudar.

E, numa sociedade em que os jovens têm a cada dia mais coisas a ocupar espaço nas suas mentes e a concentração parece esgueirar-se à mais pequena oportunidade, talvez esteja na altura de repensar o tal método. Cada vez mais, os professores que os alunos preferem são aqueles que, ao invés de se preocuparem com o que está no manual, se preocupam em ensinar os alunos, mas ensiná-los na verdadeira aceção da palavra, abrindo horizontes, prendendo a sua atenção do início ao fim da aula e provocando, por vezes, um sentimento de melancolia nos alunos quando soa o toque para fora. Estes professores são o modelo daquilo que os alunos pretendem numa escola do século XXI.