Estreia mundial em Serralves

Performance de Nadia Lauro e Zeena Parkins em estreia mundial em Serralves, a 16 de dezembro.

Cenógrafa e compositora protagonizam estreia mundial em Serralves. A convergência entre os interesses e as pesquisas da cenógrafa Nadia Lauro e da compositora/improvisadora Zeena Parkins sobre a questão do padrão e as formas como ele é apreendido levou-as a elaborar em conjunto a instalação visual e a performance musical Stitchomythia.

Stitchomythia é um tapete anamórfico concebido para performers, cujos motivos óticos e cuja topografia em anamorfose – bem como a perturbação visual que emana – constituem uma partitura à escala do espaço.

Stitchomythia segue, por um lado, a direção de Anamorphic Rug, uma instalação visual criada por Nadia Lauro e inspirada em Shining, de Stanley Kubrick, um filme em que o Hotel Overlook, o personagem principal do filme, se torna uma paisagem, uma ameaça, um organismo. Lauro pegou na famosa alcatifa geométrica do filme para a repensar num espaço ainda mais restrito do que o dos corredores do hotel. Uma deslocação ficcional que constrói uma topografia em trompe-l’oeil. O tapete bidimensional transmite a ilusão de pregas, sulcos, ondas, montes e movimentos do solo. Uma ficção anamórfica, esse tapete constitui um dispositivo ótico governado pelas leis da “arte da perspetiva secreta”. Este dispositivo foi usado por Lauro, primeiro para a peça Augures de Emmanuelle Huynh, e depois para Chut de Fanny de Chaillé, resultando numa ambiguidade percetiva para o espetador, entre a ilusão visual de uma paisagem em relevo e a realidade bidimensional na qual os intérpretes se vão transmutando.

Por outro lado Stitchomythia relaciona-se com Lace, um projeto em curso de Zeena Parkins, iniciado em 2008 e baseado em fragmentos de renda recolhidos, até à data, em lugares da Escócia, Turquia, Bélgica, Espanha, Itália e França. É uma composição de múltiplos movimentos para improvisadores que propõe a renda como uma partitura que é percecionada como uma imagem cujos padrões variam de acordo com a distância e a proximidade do ponto de vista. O resultado é uma diversidade de leituras sugeridas pelas formas dos padrões e pelos padrões das formas – aqui justapostos, sobrepostos, adjacentes, paralelos, e pelas ações que constantemente se fazem e refazem. Aqui há uma malha, uma malha dentro de uma malha, um entrelaçamento de malhas repetido até ao infinito; das formas ao gesto, como num emaranhado de teias de aranha.