Estreias cinematográficas da semana

Fique a conhecer as estreias agendadas para 28 de junho.

Primavera Tardia (Soshun)

Este filme japonês, a preto e branco, realizado em 1941, por Yasujiro Ozu e com interpretação de Chikage Awashima, Keiko Kishi, Ryo Ikebe, Takako Fujino é um filme de culto, que talvez não agrade ao espetador comum de cinema, mas uma obra-prima para os críticos e apreciadores de cinema.

Segundo texto da Cinemateca Portuguesa, este «é o filme que inaugura o período final da obra de Ozu, as obras de grande maturidade que o fizeram conhecer tardiamente no estrangeiro. É a partir daqui que no seu cinema a trama narrativa se torna rarefeita e o estilo visual se depura ao máximo: raríssimos movimentos de câmara, ausência total de panorâmicas, sequências ligadas unicamente por cortes e a celebérrima posição da câmara (a “câmara Ozu”), quase sempre a mesma, à altura de uma pessoa sentada no chão, à japonesa. E como sempre, neste período final, Ozu conta histórias de separação e resignação, histórias de mudanças e da passagem do tempo.

Tal Mãe, Tal Filha (Telle Mère, Telle Fille)

Esta comédia francesa, realizada por Noémie Saglio, com Juliette Binoche no papel de Mado, Camille Cottin como Avril e Lambert Wilson como Marc, é um filme divertido, que não deixa de sub-repticiamente abordar algumas das questões comportamentais do tempo presente. Um filme para rir e pensar!

Avril trabalha numa companhia especializada em perfumes para casa-de-banho e teria uma vida estável e organizada, não fossem os seus companheiros de casa. Vive com o namorado, Louis, ainda estudante e a escrever uma tese, e com Mado, a mãe, que em tempos foi dançarina, mas atualmente está desempregada. Desde o divórcio que Mado vive em casa do casal, depende financeiramente da filha e se comporta como uma adolescente. Forçada a agir como se fosse a mãe desses dois adultos, em breve Avril vai ser realmente mãe de uma criança. Mas Mado também! Tudo piora, quando esta tem uma crise porque vai ser, simultaneamente, mãe e avó.

A Música do Silêncio (La musica del silenzio)

Este filme italiano, realizado pelo inglês Michael Radford (realizador de “O Carteiro de Pablo Neruda”, “O Mercador de Veneza”), com interpretações de Antonio Banderas, Jordi Mollà, Toby Sebastian, baseia-se na autobiografia de Andrea Bocelli,  acompanhando a sua a vida Bocelli desde criança, da escola para cegos até ao estrelato.

Nascido em 1958, em Lajatico, Itália, com uma doença ocular, Andrea Bocelli fica definitivamente cego aos 12 anos, devido a um percalço durante um jogo de futebol. Incentivado pelo tio a estudar música, com todo o apoio da família, apesar das poucas condições materiais, é com ambição e perseverança que desenvolve os seus dons. Começando por cantar num bar, com uma enorme paixão por música e com as aulas lecionadas pelo maestro Luciano Bettarini, Bocelli consegue ir mais longe. Mas é só em 1994, quando participa e vence o Festival de San Remo, que ganha visibilidade. A partir daí, todas as portas se abrem, acabando por tornar-se o famoso tenor que hoje conhecemos.

Mary Shelley (Mary Shelley)

Este filme, uma co-produção luxemburguesa, inglesa e norte-americana, realizado pela saudita Haifaa al-Mansour (“O Sonho de Wadjda”) e escrito por Emma Jensen, conta com as interpretações de Elle Fanning no papel de Mary Shelley, Douglas Booth como Percy Blysshe Shelley e Tom Sturridge como Lord Byron.

Filme de época baseado na história verídica de Mary Wollstonecraft Godwin, mais conhecida com Mary Shelley, e na sua relação com o poeta romântico Percy Bysshe Shelley. No início de século XIX, Mary Godwin conhece um amigo do pai, Percy Shelley, um homem casado por quem se apaixona. Acabam por fugir os dois para viajar pela Europa e Mary engravida. De volta a Inglaterra, são ostracizados pela relação e pelas ideias progressistas que passam a defender. Em 1918, após dois anos e a morte prematura da filha de ambos, para escapar à crescente marginalização e opressão de que vão sendo vítimas, decidem fugir para a casa de Lord Byron, no Lago Genebra. Durante a estadia, este poeta lança o desafio aos hóspedes para que escrevam contos de terror. Surgiria assim o célebre romance gótico “Frankenstein”. Mais do que a história de um amor e da génese de um dos clássicos da literatura, “Mary Shelley” apresenta-nos o retrato de uma sociedade e reflete sobre o papel da mulher e das suas lutas, como escritora em busca de reconhecimento.