Estreias cinematográficas da semana

Apresentamos os destaques das estreias de cinema desta semana, com especial ênfase para as produções francesas...

Sol Cortante (Soleil Battant)

Com realização e texto das francesas Clara e Laura Laperrousaz (já antes responsáveis por “Rodéo”), um drama bucólico que conta com fotografia do português Vasco Viana e com a produção da Alfama Films, do também português Paulo Branco.

Gabriel e Iris (Clément Roussier e Ana Girardot) regressam à casa de família dele, no interior de Portugal, para passar as férias de Verão com Emma e Zoe (Océane e Margaux Le Caoussin), as suas gémeas de seis anos. Depois de vários anos de ausência, os quatro aproveitam a calma e mansidão dos dias para recriar laços. Até que, incapaz de lidar com as memórias do passado, o casal vê toda a sua felicidade ensombrada e a harmonia destruída.

A Minha Família do Norte (La ch’tite famille)

Uma comédia francesa realizada e protagonizada pelo francês Dany Boon (“Bem-vindo ao Norte”, “Nada a Declarar”, “Supercondríaco”), que conta também com as participações dos actores Laurence Arné, Line Renaud, Valérie Bonneton, Guy Lecluyse, Pierre Richard e François Berléand.

Valentin D. e Constance Brandt são um casal de estilistas no auge das suas carreiras. Em preparações para um desfile de luxo no prestigiado Palácio de Tóquio, em Paris, eles não cabem em si de excitação e orgulho. Valentin nunca revelou as suas origens modestas, de forma a fazer-se passar como produto de uma cultura sofisticada e cosmopolita. Quando a família, que já não tinha notícias suas há muito tempo, o vê na televisão, resolve aparecer sem pré-aviso no mais importante momento da sua carreira. Em pânico, ele tenta evitá-los a todo o custo. É então que é atropelado e sofre um traumatismo craniano que o faz perder as memórias das últimas duas décadas. Assim, um homem conhecido pelo bom gosto e requinte transforma-se no campónio que fora 20 anos antes, quando abandonou a sua pequena aldeia, algures no norte de França. Esta súbita transformação deixa a família radiante, mas vai levar Constance à beira da loucura…

O Carteirista (Pickpocket)

Com realização de Robert Bresson e interpretações de Martin LaSalle, Marika Green, Jean Pélégri, “O Carteirista”, obra-prima de Robert Bresson, é o filme em que o seu estilo peculiar se afirma de modo definitivo. O seu trabalho mais austero e depurado, mas também o mais misterioso, feito essencialmente de gestos, os gestos do carteirista como metáfora de todos os gestos de posse e de revolta. Mas também de amor, que a personagem descobrirá ao fim de um doloroso percurso.

O Testamento de Orfeu (Le testament d’Orphée, ou ne me demandez pas pourquoi!)

Com realização de Jean Cocteau e interpretações de Jean Cocteau e Françoise Arnoul, este filme é uma biografia do próprio Jean Cocteau, que, quatro anos antes de morrer, faz neste filme, o mais livre de todos os que realizou, o seu balanço de artista e revisita a sua obra. Numa sucessão de segmentos, Cocteau reencontra personagens dos seus livros e dos seus filmes, cruza brevemente amigos célebres (Picasso, Dominguin, Yul Brynner, Serge Lifar), é julgado, “condenado a viver”, é morto e ressuscita. O filme é dedicado “por um poeta às juventudes sucessivas que sempre o apoiaram”. A música é de Georges Auric, cúmplice de Cocteau desde os tempos da Primeira Guerra Mundial e autor de dezenas de partituras de filmes.

O Último Golpe (Touchez pas au grisbi)

Realizado por Jacques Becker, com interpretações de Jean Gabin, René Dary, Dora Doll, Vittorio Sanipoli, este drama, a preto e branco, é um clássico do cinema francês, tendo reconciliado definitivamente o público com Jean Gabin, depois de alguns anos hesitantes a seguir à guerra. Gabin é extraordinário no papel de um gangster que deu o seu “último golpe” (o roubo de grande quantidade de barras de ouro) antes de se reformar. Mas um jovem gangster ambicioso tenta apossar-se do produto do assalto. A jovem Jeanne Moreau tem um pequeno papel. A realização de Jacques Becker cria um ambiente inesquecível, num dos grandes filmes de sempre sobre os mitos de Paris, acompanhado por um tema musical que se tornou célebre.

O Meu Pai Tinha Razão (Mon père avait raison)

Com realização de Sacha Guitry e interpretações de Sacha Guitry, Serge Grave, Paul Bernard, Jacqueline Delubac, esta comédia francesa apresenta o drama de um arquitecto, deixado pela sua mulher, que se dedica à educação sentimental do seu filho Maurice, esforçando-se por transmitir o seu altruísmo. Anos mais tarde e muitos casos amorosos depois, Maurice apaixona-se por uma jovem rapariga com quem não se atreve a casar por medo de que esta o traia, tal como a sua mãe tinha enganado o seu pai. O que ele não sabe é que é o seu pai que os está a juntar.

O Chefe (Jefe)

Com argumento de Natxo López e participação de Juana Acosta, Maika Barroso, Josean Bengoetxea e a portuguesa Dalila Carmo, uma comédia sobre segundas oportunidades que marca a estreia em longa-metragem de Sergio Barrejón.

De temperamento difícil, César chefia com garra – e algum despotismo – uma empresa de grande sucesso. Nenhum dos seus subordinados o respeita, obedecendo-lhe apenas por receio de retaliações. Certo dia, ao ser descoberto um grande desfalque, as acções da companhia sofrem um revés sem precedentes. Como se essa desgraça não fosse suficiente, ele ainda se vê atraiçoado pelos sócios e é expulso de casa pela mulher. Empenhado em recuperar o negócio a qualquer preço, monta acampamento no escritório e trabalha ininterruptamente. Certa noite, encontra a cúmplice de que tanto precisava: Ariana, a empregada de limpeza, que parece possuir informações que o vão ajudar a sair da ruína.