Estreias Cinematográficas Da Semana

Não vá só em futebóis, as fitas (não americanas) também merecem alguma da sua atenção, num cartaz que passa pelo drama, a comédia e o experimentalismo. Sempre com o intuito de não só retratar, mas também desafiar (a pensar) a vida!

A Casa Junto ao Mar (La villa)

Um drama familiar do francês Robert Guédiguian, que há muitos anos que trabalha com estes mesmos atores – o que lhe permite incluir aqui uma cena de “Ki lo sa?”, filme que realizou em 1986, como “flashback”. Este filme esteve em competição nas edições de 2017 dos festivais de Veneza e Toronto.

dois irmãos e uma irmã de meia-idade regressam à casa onde cresceram, na zona de Marselha, após o pai sofrer um enfarte. Angèle (Ariane Ascaride) é uma atriz que não volta à casa desde que o pai, que era suposto tomar conta da neta, não salvou a filha dela quando esta morreu; Joseph (Jean-Pierre Darroussin) foi despedido, mas levou uma choruda indemnização e está a apresentar à família a sua noiva muito mais nova, Béràngere (Anaïs Demoustier); e Armand (Gérard Meylan) dedica-se a tomar conta do restaurante da família, que tem como máxima praticar preços acessíveis e, como é Inverno, não tem clientes.

A Balada de Adam Henry (The Children Act)

Este drama inglês é a adaptação do livro homónimo de Ian McEwan saído em 2014 (com guião do próprio). Emma Thompson, que faz de juíza, contracena com Stanley Tucci, que encarna o seu marido, e Fionn Whitehead, de “Dunkirk”, o adolescente.

A realização é do veterano Richard Eyre, que já tinha colaborado antes com Ian McEwan, na adaptação de “A Verdade dos Factos” (1983), e em “The Imitation Game” (1980), peça escrita para televisão. O filme foi apresentado no Festival de Toronto em 2017.

Uma juíza, enquanto o seu casamento se está a desmoronar, tem de julgar o caso de um adolescente de 17 anos com leucemia que é Testemunha de Jeová e se recusa, por motivos religiosos, a receber uma transfusão de sangue que poderá a salvar a sua vida, suscitando inúmeros dilemas morais e humanos.

As Aventuras do Pequeno Spirou (Le petit Spirou)

Esta comédia familiar, realizada por Nicolas Bary, é uma adaptação para  cinema da popular banda desenhada franco-belga criada por Robert Velter, “O Pequeno Spirou” e “Spirou e Fantásio”. A interpretação está a cargo de Sacha Pinault, Lila Poulet, Mahé Laridan, François Damiens.

Muito antes das peripécias com Fantásio, Spirou é uma criança que adora a escola e os amigos, mas o seu destino está traçado: aprender a ser guarda de elevadores, uma tradição familiar. Antes de partir para essa vida, porém, quer a todo o custo ter uma última aventura com as pessoas que vai deixar para trás, além de declarar o seu amor à rapariga por quem está apaixonado.

Beduino (Beduino)

Este drama brasileiro é uma reflexão sobre as relações entre as pessoas, em que um casal passa a vida a recriar e dramatizar os episódios da sua própria existência. Conta com Alessandra Negrini e Fernando Eiras nos papéis principais.

É uma narrativa não-linear e sem grandes diálogos, realizado por Júlio Bressane, nome maior da experimentação brasileira desde 1966, possuindo uma obra que lhe permite citar-se a si mesmo, como acontece neste filme, em que se reporta o filme “Memórias de Um Estrangulador de Loiras”, de 1971.

Cold War – Guerra Fria (Cold War)

Vencedor do prémio para Melhor Realizador na edição de 2018 do Festival de Cannes, o sexto filme do polaco Pawel Pawlikowski, com interpretações de Joanna Kulig, Tomasz Kot e Borys Szyc, é inspirado na relação entre os pais do realizador.

Rodado a preto e branco, esta produção polcada, inglesa e francesa centra-se no romance, durante o tempo da guerra fria, entre duas pessoas oriundas de meios muito diferentes e com personalidades muito díspares uma da outra. A ação ocorre entre a Polónia, a Alemanha (Berlim), a Jugoslávia e a França (Paris).