Exaustão emocional: não posso mais…

A sobrecarga de esforço, não apenas de excesso de trabalho, mas também ou sobretudo do assumir e gerir de conflitos, responsabilidades ou estímulos emocionais ou cognitivos pode levar à exaustão emocional.

A exaustão emocional é processo que ocorre lentamente, silenciosamente, e manifesta-se em paralisia, depressão profunda ou doença crónica, simplesmente porque já não se aguenta mais. A exaustão emocional comporta habitualmente uma grande fadiga física, havendo uma sensação de peso e de incapacidade de seguir em frente.

Porque se trata de um esgotamento emocional são muitas e variadas as causas, resultando, quase sempre de um desequilíbrio entre o que se dá e o que se recebe, no trabalho, em casa, no relacionamento ou em qualquer outra área da vida. Isto ocorre, habitualmente, em cenários de grande exigência e sacrifícios, que reclamam todas as energias, atenção e tempo, como se a pessoa não tivesse necessidades, ou como se fosse mais forte que o resto e pudesse aguentar tudo.

Como se trata de um processo, há sinais ou sintomas aos quais é necessário ter atenção para os remediar. Os mais importantes são o cansaço físico (constante e permanente, do acordar ao deitar), as insónias (sendo difícil adormecer), a irritabilidade (frequente perda de autocontrole, mau-humor e sensibilidade extrema), falta de motivação (ações mecânicas, perda de entusiasmo ou interesse), distanciamento afetivo, esquecimentos frequentes, dificuldade para pensar.

Ao detetar estes sintomas, o melhor é tomar de imediato algumas medidas, sendo que o descanso é a primeira delas. Encontrar tempo livre para relaxar e acalmar, tirar umas férias, viajar. Mas descansar pode não ser suficiente (ou possível), é necessário construir uma atitude diferente diante das obrigações diárias, incluindo momentos para descansar e para atividades que sejam gratificantes e, sobretudo, deixando de lado as obsessões de perfeccionismo.

Importante é também encontrar momentos para si, dedicando, em cada dia, um tempo seu, sem interrupções, um tempo «respirar», para se centrar no que é e com o que deseja, aceitando os limites, e desenvolvendo a autoestima.

Sim, porque como escreve Alexandre O’Neill (no início do poema «No Reino do Pacheco»)

Às duas por três nascemos,

às duas por três morremos.

E a vida? Não a vivemos.