Festival DDD: dose dupla no palco de Serralves

Depois da estreia nacional de Avalanche do italiano Marco D'Agostin, mais dois espetáculos do Festival DDD – Dias da Dança subirão ao palco em Serralves já neste domingo, dia 5 de maio.

“aCORdo” surgiu quando a coreógrafa e interprete brasileira Alice Ripoll foi convidada para participar com uma criação inédita, feita para ser encenada numa sala da ocupação “Que Legado”, realizada no Castelinho do Flamengo, no Rio de Janeiro, de março a abril de 2017. O trabalho deveria dialogar com a questão do que teria ficado como legado para a cidade após os grandes eventos que supostamente trariam melhorias para a vida dos cariocas: a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Sem responder literalmente à pergunta, a artista propõe pensar a cidade na posição dos intérpretes com quem trabalha há oito anos. Eles são negros e moram numa favela carioca.

Alice Ripoll é coreógrafa, intérprete e diretora de movimento para peças teatrais.

É diretora da Cia REC de dança, com a qual realizou os espetáculos “Cornaca” (2009), “Katana” (coprodução Festival Panorama 2012), “Bô” (2015), “Pé de vento cabeça no chão” (coprodução Festival Panorama 2015), e a performance “aCORdo” (2017). Em 2014, dirigiu os espetáculos “Suave” e “O princípio da casa dos pombos”.  É diretora de movimento do grupo teatral Foguetes Maravilha.

FESTIVAL DDD: DIAS DA DANÇA – COMPANHIA DE JOÃO DOS SANTOS MARTINS

5 de maio 2019

19h00 – 20h30

Auditório de Serralves

Em colaboração com: Ana Rita Teodoro, Clarissa Sacchelli, Daniel Pizamiglio, Filipe Pereira, Sabine Macher

Companhia marca o reencontro de João dos Santos Martins com a equipa de Projeto Continuado (2015), dando continuidade aos processos de colaboração e investigação então iniciados e marcados por relações de afeto e labor. Companhia investe esteticamente na ideia de dança enquanto trabalho, utilizando, para isso, casos de estudo que examinam, por exemplo, a sistematização do movimento operário na relação estabelecida com as máquinas, de onde surge um conceito de coreografia enquanto tecnologia ou prótese. Em paralelo, reflete-se sobre como determinadas estéticas de dança, de ambições libertárias e democráticas, estão implicadas na redução dos pontos de tensão do corpo, implementando técnicas de eficácia na concretização do movimento, utilização energética e redução de esforço como alternativa ao modernismo rígido e ideologicamente “exterior” ao corpo.

Interessa, com isto, refletir sobre trabalho e bem-estar, a forma como a dança, enquanto cânon de produção recíproca de prazer (do espectador, mas também do bailarino) e difícil de identificar socialmente como labor, interage com os seus modos e agentes de produção. E se a ideia de “companhia” aqui invocada pondera uma forma hegemónica de organização estrutural e administrativa em dança, ela implica também um modo de labor comum: companhia como facto ou condição de ser e estar com o outro, como forma de providenciar amizade ou prazer a um grupo de pessoas numa sociedade.