Festival de Artes Performativas do Barlavento

Festivais de março para fechar o inverno: Encontros do DeVIR e Ventania – Festival de Artes Performativas do Barlavento. São mais de 400 iniciativas culturais que o 365 Algarve promove por toda a região e que incluem mais de uma centena de concertos, cerca de 50 espetáculos de teatro e cerca de cem ações relacionadas com o património da região, entre outros eventos.

De 13 de março a 30 de maio decorre a 6.ª edição do Festival “Encontros do DeVIR”, que este ano tem como tema “O Resgate”. O arranque é em Faro onde, numa só noite, se apresentam duas versões da Sagração da Primavera de Stravinsky. Le Sacre du Printemps, do destacado coreógrafo francês Xavier Le Roy, tem sido recebida com enorme êxito em alguns dos maiores festivais de dança europeus. La Consagración de la Primavera, do premiado criador espanhol Roger Bernat, é uma experiência única para os espectadores que – guiados pelas indicações que lhes são transmitidas através de auscultadores individuais – se convertem também em intérpretes.

O desafio de Roger Bernat é lançado novamente a 14 de março, em Loulé, onde decorre também nesta data o Ciclo Pina Bausch, uma pequena homenagem a uma das maiores coreógrafas e bailarinas do século XX, que inclui Nelken Line, um workshop que resultará num vídeo e numa performance, o espetáculo Debout! e uma masterclass por Raphaëlle Delaunay, uma das suas ex-bailarinas, e a apresentação de vídeos de Café Muller, Sagração da Primavera e Pina (Wim Wenders, 2008), três obras marcantes da coreógrafa.

A 21 de março, em Faro, há novo encontro, desta feita com Jêrome Bel, um dos mais desconcertantes e surpreendentes criadores do nosso tempo. Rectrospective é um manifesto contra as alterações climáticas. O evento conta ainda com a leitura de um texto inédito de Jacinto Lucas Pires, com ilustração em tempo real.

A 27 de março, o “Encontros do DeVIR” resgata o solo Talvez Ela Pudesse Dançar Primeiro e Pensar Depois, um marco no percurso coreográfico de Vera Mantero que faz parte da história da dança contemporânea portuguesa. Do Líbano chega Under the Flesh, um espetáculo necessário e intenso que levanta a questão do corpo em situações limite, como as guerras que alimentam movimentos migratórios políticos que têm como destino a Europa.

De 14 a 22 de março, cabem na 2.ª edição do Ventania – Festival de Artes Performativas do Barlavento, eventos de Circo Contemporâneo, Artes Visuais, Teatro, Dança e até Gastronomia.

A 14 de março, em Sagres, a iniciativa Tome e Embrulhe distribui sacos de papel em grande escala no mercado municipal (repete a 21 de março, em Lagoa). No mesmo dia, saem à rua The Invisible March, um percurso performativo em forma de manifesto artístico sobre a poluição dos oceanos, Atempo, um espetáculo de circo contemporâneo que mistura impressionantes acrobacias de forças combinadas, de dança e de teatro físico, e Windy, uma instalação de arte pública, de reflexão ecológica, com paisagem sonora (repete a 20 de março, em Lagos).

Ventania Music & Food Experience é uma experiência performativa e gastronómica que tem lugar no interior agrícola do concelho de Lagos a 15 de março, e em Portimão a 21 de março.

A 20 de março, em Lagos, estreia Clean Water Act, uma encomenda de criação dirigida à bailarina e coreógrafa Jenny Jacobsson, que aborda o impacto da ação humana sobre a água dos oceanos. No mesmo dia, é apresentada pela primeira vez em Portugal 02 Oxigen, uma performance que convida o espectador a uma reflexão sobre como poderia sobreviver numa sociedade onde o acesso ao oxigénio se torna um luxo. No Jardim da Constituição, a instalação Água ocupa o espaço público num misto de arte pública e performance.

Para comemorar a efeméride do Dia Mundial da Floresta, que se celebra a 21 de março, a Companhia de Dança KALE apresenta, em Portimão, o espetáculo Terras.

O festival termina a 22 de março, em Lagoa, com a estreia da Sinfonia n.º 7 de Jorge Salgueiro, “Ritual de Evocação dos Elementos”, interpretada por uma orquestra de formação sinfónica e músicos selecionados através de open call, e a performance O Grande Embrulho, que reúne as linguagens de clown, dança, música e manipulação de objetos num espetáculo com uma forte mensagem ecológica.

A 4.ª edição do 365 Algarve decorre até maio de 2020 e o ciclo de programação parte de uma ideia de território enquanto paisagem à escala humana, que se pode percorrer a pé. Um conceito desde logo associado à Europa, um continente onde as ligações são feitas à distância de uma caminhada, e que constitui o fio condutor desta edição: a profunda ligação humana ao território, quer física quer metaforicamente.

No Algarve, todos os dias e todos os passos contam.