Festival Dias da Dança: Avalanche em Serralves

A poética de Marco d'Agostin é fluida, dinâmica, sempre adaptativa. As suas peças inspiram-se em atlas, M.P.Shiel, em criaturas extintas e na iconografia dos vídeos do Youtube. Em Avalanche, os dois seres humanos protagonistas estão a ser vistos pelo olho de um Ciclope como poeiras antigas, preservadas num bloco gelo. A 28 de abril.

Avalanche conta com dois atlas caminhando na madrugada de um novo planeta sob o peso de uma melancolia milenar. Os vestígios de tudo o que não pôde permanecer atuam como forças invisíveis sobre aquilo que sobreviveu e é agora reconvocado como uma regra, uma coleção, uma lista de possibilidades.

A dança vive numa tensão constante em direção ao infinito da enumeração, buscando desesperadamente um desfecho.

De olhos semicerrados, como para protegerem a visão da luz ofuscante de uma cor nunca vista, agarram o assomo de uma última possibilidade: uma terra de areia e sementes na qual uma outra pessoa irá aprender de novo a deslocar-se depois de o último vestígio ser destruído.

Marco D’Agostin é um performer e coreógrafo ativo nas áreas de teatro, dança e cinema. Foi bailarino de Yasmeen Godder, Nigel Charnock, Emio Greco/Accademia Mobile, André Gingras, Simona Bertozzi, Sharon Friedman, Jorge Crecis, Rachel Krische, Guillermo Weickert, entre outros. Desenvolve o seu próprio trabalho coreográfico desde 2010. Com o apoio do Instituto Italiano de Cultura.