Filme sobre minas da Urgeiriça premiado em Berlim

O filme “Cem anos de Urgeiriça”, sobre aquelas minas em Nelas, Viseu, foi premiado pelo Festival Internacional do Rio de Filmes sobre Urânio, realizado em Berlim.

O ex-mineiro António Minhoto disse que este prémio de Honra que também lhe foi atribuído e o de melhor filme na categoria Pesquisa de Arquivo para o documentário sobre as minas ‘Cem anos de Urgeiriça’ “deu uma imagem internacional importante sobre a exploração de urânio a nível mundial. Portugal tem, e este festival mostrou, uma grande importância, porque temos um grande papel de introdução de exploração e das difusões a nível mundial e também no nuclear. Portugal foi o primeiro a contribuir com urânio para a criação da bomba nuclear”.

Este ex-mineiro, nascido em 1952, criou a associação ambientalista Ambiente em Zonas Uraníferas (AZU) e a Associação dos Antigos Trabalhadores das Minas da Urgeiriça (ATMU), cuja missão é lutar em prol dos direitos de quem trabalhou na exploração do urânio e integra também o MIA – Movimento Ibérico Anti-Nuclear.

Apesar de já ter visto o seu trabalho reconhecido pela Assembleia da República, António Minhoto não esconde que esta menção internacional “tem um significado mais amplo” e acaba por ser “um estímulo para uma causa que está a ganhar cada vez mais interesse”, porque, diz, “não é alternativa a questão do nuclear”.

No seu entender, “é preciso lutar, é preciso ser persistente, é preciso acreditar” e o acreditar para António Minhoto vai no sentido de “defender a criação, em Portugal, que fez exploração do urânio, de um Museu Mineiro”.

O outro destaque no Festival Internacional do Rio de Filmes sobre Urânio foi para o documentário “Cem Anos de Urgeiriça” que recebeu o prémio de Melhor Filme na categoria de Pesquisa de Arquivo, do realizador escocês Ramsay Cameron.

Um filme que, no entender de António Minhoto, “é um bom contributo, apesar de ter algumas limitações, porque resume-se muito ao que foi o tempo dos ingleses e à bomba atómica e não se resume depois no que foi o sacrifício dos mineiros, no passivo ambiental na questão humana e todo este processo que faz a história, porque a história não pode ser cortada ao meio”.

O International Uranium Film Festival Rio foi criado em 2010, no Rio de Janeiro.