FITEI dá palco a cada um de nós

As atividades da edição deste ano do FITEI decorrerão no Porto, Matosinhos, Viana do Castelo e Felgueiras, e também em Vila Nova de Gaia, que este ano se junta à festa do teatro.

Caranguejo Overdrive de Aquela Companhia, do Brasil, Mendoza de Los Colochos, do México, A House In Asia dos catalães Agrupación Señor Serrano, Correo da chilena Paula Aros Gho, Altíssimo do Pernanbucano Pedro Vilela, a residência Yo Escribo. Vos Dibujás, no regresso de Federico León, da Argentina, são alguns dos fortes atrativos internacionais para FITEI 2018, que decorre de 12 a 22 de junho.

Como escreve Gonçalo Amorim, diretor artístico do evento, este ano o festival “dedicar‑se‑á a debater e reflexionar sobre os empoderamentos. Este tema não pretende condicionar os artistas, mas sim ajudar a fixar discurso sobre as suas obras, com toda a abertura que elas necessitam para serem percecionadas. Com empoderamentos referimo‑nos à necessidade de dar poder a quem normalmente não o tem: à mulher, às minorias étnicas, ao pobre, ao habitante do sul da Europa, ao habitante do sul do mundo, ao indígena, e a muitos outros exemplos, que nos obrigam a refletir e a reequacionar a ideia de centro e de periferia, assim como a própria ideia da verticalidade hierárquica.”

A nível da produção teatral nacional, o FITEI 2018, apresentará as novas obras de Victor Hugo Pontes, Margem (com guião a partir de Capitães da Areia de Jorge Amado, adaptado por Joana Craveiro, e com um elenco de adolescentes) e de Marco Martins, Provisional Figures: Great Yarmouth (que pensa o surto migratório português da última década para esta pequena cidade inglesa).

Sara Barros Leitão, Ana Luena, Raquel S. e Diana de Sousa, quatro encenadoras/criadoras, estreiam as suas novas obras no festival.

André Amálio pensa o pós‑colonialismo na sua Trilogia, Nuno M Cardoso a animalidade na estreia de Lulu, Luis Araújo a sustentabilidade em Pulmões e Miguel Bonneville a transsexualidade e o feminismo revisitando a sua obra de 2008 MB#6, e estreando uma versão para 2018, à luz da evolução crítica dos temas.

Haverá ainda lugar para várias atividades paralelas e uma secção formativa intitulada “Isto não é uma escola FITEI”. Manter-se-á a parceria com a Matéria Prima e as sugestões musicais de Paulo Vinhas.

“Queremos também continuar a entender o FITEI – conclui Gonçalo Amorim – como um espaço de resistência, de apoio da diversidade, da transgeracionalidade, um espaço de empoderamento do próprio tecido artístico português e ibero‑americano. Ainda falta fazer muito, mas este parece‑nos o caminho certo.”

Um festival de teatro a seguir de perto!