“Joan Miró e a Morte da Pintura” em Serralves

Serralves, contando com o apoio mecenático da Sonae, apresenta nova exposição de Joan Miró onde se cruzam obras da Coleção do Estado Português com outras provenientes de importantes coleções espanholas e francesas e que pela primeira vez serão expostas em Portugal. Patente ao público até 3 de março de 2019.

A exposição JOAN MIRÓ E A MORTE DA PINTURA centra-se na produção artística do mestre catalão em 1973. Com oitenta anos, Joan Miró preparou uma importante retrospetiva no Grand Palais, em Paris, para a qual concebeu uma série de telas perfuradas (março de 1973), de relevos tecidos (“Sobreteixims” e “Sobreteixims-Sacks”, 1972 e 1973) executados em colaboração com Josep Royo, e cinco “Toiles brûlées”, telas queimadas produzidas entre 4 e 31 de dezembro de 1973, obras através das quais Miró deu largas à sua raiva estética.

Miró colocou a pintura à prova, numa tentativa de renovar os seus recursos e procedimentos, precisamente no momento em que a crítica, perante práticas que desafiavam as narrativas do alto modernismo — arte processual, performance, land art e instalação – anunciava a “morte da pintura” como um facto consumado.

A exposição, que conta com o mecenato da Sonae, reúne obras pertencentes à Coleção do Estado Português, por acordo com o Município do Porto em depósito na Fundação de Serralves, e pinturas e objetos provenientes de coleções públicas e privadas de Espanha e de França.

De Espanha foram selecionadas obras pertencentes às coleções da Fundació Joan Miró (Barcelona), da Fundación Mapfre e da Fundació Pilar i Joan Miró a Mallorca (Palma de Maiorca) e de França, da Collection Adrien Maeght (Saint-Paul-de-Vence). Grande parte destas obras são expostas pela primeira vez em Portugal o que permite aos visitantes uma contínua descoberta da obra de Joan Miró.

Uma secção documental oferece ao visitante a possibilidade de observar os métodos de trabalho de Miró na execução dos “Sobreteixims” e  inclui um filme do conhecido fotógrafo catalão Francesc Català Roca, que regista o processo de criação e destruição das “Toiles brûlées”.

O curador de “JOAN MIRÓ E A MORTE DA PINTURA” é Robert Lubar Messeri, prestigiado especialista da obra do artista plástico que já assumira a curadoria da primeira exposição da coleção de Miró em Serralves, em 2016 – “Joan Miró: Materialidade e Metamorfose”.

No catálogo que acompanhará a exposição, o curador examina o conceito de “assassinato estético” e o envolvimento do artista catalão na corrente que, entre 1927 e 1928, foi denominada como “anti-pintura”, para evidenciar o modo como a tensão entre pintura e anti-pintura que perpassou a sua obra subsequente atingiu um crescendo em 1973. A publicação incluirá ainda, pela primeira vez em versão inglesa e portuguesa, uma entrevista entre Joan Punyet Miró, neto do artista, e Josep Royo, com quem Miró iniciou em 1969 uma longa e altamente produtiva relação de trabalho.

O artista catalão regressa assim à Casa de Serralves, dois anos após de se ter apresentado a primeira exposição da coleção Miró, propriedade do Estado, “Joan Miró: Materialidade e Metamorfose”, visitada por cerca de 240.000 pessoas.

Créditos da Fotografia:

Joan Miró
Painting, March 29,, 1973
Oil on lacerated and perforated canvas
50 x 61 cm
Collection Lola Fernández, Palma de Mallorca (on loan to the Fundació Miró Mallorca, Palma)

Pintura / Obra sobre tela
Fundació Pilar i Joan Miró, Palma, Illes Balears