José Tolentino Mendonça em Guimarães

Conversa com Arcebispo, Arquivista do Arquivo Secreto do Vaticano e Bibliotecário da Biblioteca Apostólica Vaticana tem lugar a 8 de junho no Centro Internacional das Artes José de Guimarães. José Tolentino Mendonça visita CIAJG para uma conversa sobre a exposição Clareira de Manuel Rosa.

No dia 8 de junho, sábado, pelas 18h30, o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) recebe José Tolentino Mendonça para uma Conversa sobre a Clareira, de Manuel Rosa, mostra que integra o atual ciclo de exposições do Centro, a visitar até 9 de junho. O atual Arcebispo, Arquivista do Arquivo Secreto do Vaticano e Bibliotecário da Biblioteca Apostólica Vaticana participa assim no presente ciclo do CIAJG dedicado ao ‘Pensamento Ameríndio’, que integra igualmente Variações do Corpo Selvagem: Eduardo Viveiros de Castro, Fotógrafo, com curadoria de Veronica Stigger e Eduardo Sterzi,Carõ – Multidões da Floresta, uma exposição de João Salaviza e Renée Nader Messora, e A Morte de Ubu, de João Louro. Por ocasião desta conversa, abre-se também espaço à apresentação do livro ‘Clareira’, desenhado por Pedro Falcão e editado pela Documenta e Fundação Carmona e Costa.

É a primeira vez que o CIAJG, em Guimarães, olha tão diretamente para os povos originais, como o faz agora neste primeiro ciclo expositivo de 2019. A programação do CIAJG para este ano realiza-se sob o mote “Resgatar a Diversidade”, entendida, de forma alargada, enquanto ecossistema conceptual, e integra um amplo e diverso conjunto de propostas. E desta forma o CIAJG pensa, debate, celebra e revela o mundo, a sua diversidade e riqueza cultural. Em conjunto, com todos os que o visitam, público ou artistas.

A visita de José Tolentino Mendonça ao Centro Internacional das Artes José de Guimarães acontece em forma de conversa, aberta a todos, para lançar um olhar sobre a obra de um dos mais singulares e originais escultores surgidos na década de 1980 em Portugal, Manuel Rosa, atualmente representada no CIAJG por uma clareira no denso espaço da coleção permanente, com peças de grande e pequena escala, em gesso, bronze ou areia de fundição, várias delas produzidas para esta exposição – Clareira – com curadoria de Nuno Faria (Diretor Artístico do CIAJG).

O vocabulário de Manuel Rosa é amplo em termos formais, temáticos e materiais. É um trabalho que, entre referências à escultura primitiva e pré-clássica, à Arte Povera e à geração de escultores britânicos surgida nos anos 80 do século passado, se destacou pela forma como construiu um forte sentimento de intemporalidade, por um lado, e uma intensa ligação à terra e aos materiais do lugar, por outro. Reiterando, por um lado, arquétipos poderosos – a casa, o barco, o corpo humano –, e, por outro, objetos sem aura, de uso corrente ou índole industrial – cabaças, bolas, baterias de automóvel –, o artista opera, com desconcertante liberdade processual, uma ininterrupta circulação entre energia e forma, figura e sombra, cheio e vazio, totalidade e fragmento, pequena e grande escala, o efémero e o perene.

A intervenção que o escultor concebeu para o espaço da coleção permanente do CIAJG dialoga com algumas das peças mais marcantes em exposição ou em depósito – sejam peças em terracota da coleção pré-colombiana, sejam os moldes de partes do corpo humano, para ex-votos em cera oriundos do património religioso e popular da cidade de Guimarães. Mãos, bocas, concavidades, espaços crípticos que guardam os segredos da história oral, antes da escrita, aquela que não tem forma e que não é fixada nos manuais oficiais.

A respeito da obra de Manuel Rosa, José Tolentino Mendonça expressa-se da seguinte forma e oferece aquele que pode ser um bom ponto de partida para todos os que se queiram juntar à conversa do próximo dia 8 no CIAJG: “Esculpe barcos para voltarmos a reencontrar florestas; fornece figuras para encabeçarmos rituais extensos e viagens pelo desconhecido; mandata-nos para encontrar a luz que o vazio projeta na sombra; encoraja-nos a entretecer modos primitivos que são a porta de acesso ao ignorado mundo primeiro. As esculturas de Manuel Rosa são pedra, gesso, areia, argila, metal, mas cantam. E fazem-no com a língua dos aborígenes reunidos à volta do fogo, o assobio dos nómadas através do deserto, o grito dos artesãos populares que vêm desde o princípio, o acento helénico de Pitágoras ou de Anaximandro.”