Lembro-me bem de…quando era criança!

Esqueça essa ideia porque o mais provável é que a primeira recordação que tem (ou julga ter) dos tempos de criança, o mais certo é que não corresponda à verdade!

Se der por si a recuar bem longe, aos tempos de criança, a tentar lembrar-se de algo que aconteceu quando tinha 2 anos ou ainda menos, o mais provável é que a sua primeira memória seja mentira. A conclusão é a ciência que nos traz ao provar que é muito difícil registar memórias antes dos 3 anos e meio.

Antes de jurar a pés juntos, pense bem! “Ai…lembro-me tão bem do presente de natal que recebi aos dois anos…e aquela queda de patins com o meu irmão mais velho?” A probabilidade de essas memórias serem fabricadas pelo seu cérebro é extremamente elevada, comparativamente com a probabilidade de se lembrar do que quer que seja! Os estudos já provaram que é praticamente impossível o ser humano registar memórias antes dos 3 anos e meio. Embora as pessoas acreditassem vivamente que as tiveram e, salvo raríssimas exceções, os relatos de recordações antes dessa idade não são reais – é pelo menos o que se pode concluir de uma investigação realizada pelo Centro de Memória e Lei da Universidade de Londres, publicada na “Psychological Science”.

E, na verdade, é que há muita gente a acreditar nas memórias. Só nesta amostra de 6.641 pessoas do Reino Unido, o estudo verificou que 38,6% dos indivíduos, o correspondente a 2.560 participantes, garantia ter memórias abaixo dos 2 ou menos anos. O mais certo é que aquilo que julgamos ser memórias, mais não são que as recordações que vamos guardando com base nos relatos que vamos ouvindo no seio familiar.

“Isto deve-se em parte ao facto de os sistemas que nos permitem lembrar das coisas serem muito complexos”, esclareceu o diretor do Centro de Memória e Lei da Universidade de Londres Martin Conway, em nota de imprensa. “Só quando temos 5 ou 6 anos é que formamos memórias como as de um adulto, devido à forma como o cérebro se desenvolve e ao nosso entendimento mais maduro do mundo”.

Lembro-me tão bem!…Como se fosse hoje!