Missão: atrasar uma das causas de Alzheimer

Cláudio Gomes, do BioISI - Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e Joana Cristóvão, estudante de doutoramento e primeira autora do estudo, descobriram um novo mecanismo bioquímico nas células nervosas que retarda a formação dos depósitos de agregados de proteína no cérebro, causadores da doença de Alzheimer.

Retardar o Alzheimer? Uma proteína inflamatória de abundante no cérebro e produzida como resposta a danos nas células nervosas pode ter uma nova função e constituir a primeira linha de defesa na supressão da formação de agregados amilóide. Nas palavras de Joana Cristóvão, “a proteína S100B acumula-se junto das placas [depósitos] de amilóide nos cérebros com Alzheimer, e o nosso trabalho revela agora que essa “coincidência” tem uma razão de ser, dado que descobrimos que a proteína S100B interage com a proteína beta-amilóide, atrasando a sua agregação”, revertendo “a toxicidade induzida por agregados da proteína beta-amilóide, o que reforça este novo papel na defesa anti-agregação”.

 

A doença de Alzheimer é um processo neurodegenerativo que resulta da acumulação de formas tóxicas da proteína beta-amilóide sob a forma de agregados que causam a morte dos neurónios, é acompanhado de importantes alterações bioquímicas no cérebro, como as que resultam da abundante produção de moléculas da resposta neuro-inflamatória. De entre estas destacam-se as chamadas alarminas, como a proteína S100B, objeto da atenção especial deste estudo, publicado a 29 de junho na revista científica Science Advances.