Nova esperança para quem tem lesões na espinal medula

Movimentos tão simples como segurar uma chávena de café ou uma escova de dentes e que fazem parte da rotina diária podem revelar-se impossíveis para quem padece de lesões na espinal medula.

Tem lesões na espinal medula? Saiba que uma nova investigação científica traz esperança através de uma terapia genética. Um grupo de cientistas do King’s College de Londres demonstrou, em ratos com lesões na espinal medula, que uma terapia genética fez com que reaprendessem os movimentos das patas. Na prática, o estudo, realizado por neurocientistas, abre caminho para que os doentes paralisados possam voltar a mexer as mãos, os braços e as pernas.

A experiência feita com ratos paralisados a quem foi aplicada a terapia mostrou que, passados dois meses, os animais conseguiram voltar a pegar em cubos de açúcar com as patas. Os pacientes com lesões na espinal medula perdem, muitas vezes, a capacidade de fazer movimentos coordenados das mãos em coisas tão “simples” como pegar numa caneca de chá. Se recuperarem essas funções, a sua independência e qualidade de vida melhoram.

O estudo agora anunciado traz mais motivos para que se possa ajudar estes doentes, até mesmo aqueles que vivem lesões mais críticas. Refira-se que a lesão na medula leva a que se formem cicatrizes que impedem novas ligações entre as células nervosas e não há, ate à data, nenhum tratamento que regenere essas ligações. Daí que este estudo represente uma nova esperança.

Em declarações à BBC, a médica que liderou a investigação, Elizabeth Bradbury, referiu que a “prioridade” de muitos pacientes com este tipo de lesões é recuperar os movimentos da mão. “Conseguir pegar numa chávena de café ou segurar uma escova de dentes será uma grande melhoria na sua qualidade de vida”, acrescentou.

Há, naturalmente, uma grande distância entre a teoria e a prática. Um médico do instituto Spinal Reseeach disse que estes resultados são “emocionantes”, no entanto, “ter aprovação para terapias genéticas é um desafio particular, embora não intransponível, para levá-lo, depois, à prática clínica”.

A investigação do King´s College descobriu que, além dos movimentos que os ratos conseguiram fazer com as patas passados dois meses, também houve progressos na atividade da espinal medula, sugerindo que novas ligações terão sido feitas pelas células nervosas.