O “trabalho do sonho” de João Bénard da Costa em livro

Os textos que o cinéfilo e programador João Bénard da Costa escreveu durante décadas para a Cinemateca Portuguesa, vão ser reunidos numa edição de vários volumes, o primeiro a ser lançado neste sábado, 29 de setembro, pelas 20h30, em Lisboa.

Num projeto editorial longo, que dura há quase uma década, esta edição apresenta dezenas de textos que o autor escreveu entre 1980 e 2009, no âmbito das atividades de programação e direção da Cinemateca.

A obra será dividida em dois tomos, cada um deles com vários volumes ainda a definir.

Nos dois tomos estarão presentes “todos os textos escritos para a Cinemateca Portuguesa, seja como folhas de sala seja no âmbito de livros editados ou coeditados pela instituição, e ainda as folhas escritas para a Fundação Calouste Gulbenkian, cuja quase totalidade foi retomada na Cinemateca”, lê-se nas primeiras páginas.

O primeiro volume conta ainda com um texto introdutório do realizador finlandês Peter von Bagh (1943-2014), amigo pessoal de João Bénard da Costa, que o descreveu como “um filho do privilegiado século do cinema”.

A edição de “João Bénard da Costa – Escritos sobre Cinema”, uma obra “imensa, gigantesca”, assinala também, simbolicamente, o arranque da comemoração dos 70 anos da criação da Cinemateca Portuguesa.

João Bénard da Costa morreu em 2009, aos 74 anos. Além dos cargos de direção que teve na Cinemateca, entre 1980 e 2009, dedicou-se à crítica e ao ensaio com várias obras publicadas. Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, João Bénard da Costa foi ainda um dos fundadores, em 1963, da revista O Tempo e o Modo, juntamente com Alçada Baptista, que dirigiu até 1970. Dirigiu ainda o Setor de Cinema do Serviço de Belas-Artes da Fundação Calouste Gulbenkian e presidiu à comissão organizadora das Comemorações do Dia de Portugal. Foi distinguido e condecorado em Portugal e em França. Em 2001 foi galardoado com o Prémio Pessoa.