Outono em Jazz na Casa da Música

De 7 a 28 de outubro, há Jazz na Casa da Música.

A sexta edição do Outono destaca-se pelas marcas do século XXI, apresentando o jazz como uma música que não apenas se abre a múltiplos universos, como o faz com uma profundidade rara em outros tempos, com fusões e curiosidades experimentais.

O jazz hoje é uma música sem centros geográficos e que ganha sempre com o investimento dos artistas na sua própria identidade genética, alguns que hoje figuram no topo das listas dos melhores, segundo a crítica, se afirmam por esse mergulho identitário que acompanha uma proficiência sem mácula, como, por exemplo, o saxofonista Rudresh Mahanthappa (de origem indiana e que nos entrega uma música recheada da tradição carnática), o trompetista Ambrose Akinmusire (que respira a energia de um hip hop renovado), o guitarrista Femi Temowo (que cruza um fraseado cheio da história do jazz com as sonoridades contagiantes da África Ocidental onde cresceu).

Num outro plano, destacam-se o pianista revelação do Brasil, Amaro Freitas (que deixa de lado o samba jazz e entra no caleidoscópio dos géneros nordestinos); Mário Laginha, que caminha por entre as músicas do seu mundo; os Lokomotiv, que exploram há vinte anos uma energia bem próxima do rock e Bruno Pernadas, que vem também mostrando uma linha muito pessoal e um jazz cuidado.

Especial destaque merece um concerto encomendado pela Casa da Música e que faz a ponte com a Polónia, geografia jazzística pouco conhecida entre nós.

A vocação internacional do festival completa-se com a aposta numa cantora sul-coreana ou num quarteto francês fascinado pela cinematografia do russo Andrei Tarkovsky, além de três concertos de entrada livre no “Café”.

E o festival termina em ambiente de festa com um regresso aos anos 80 e ao som pop de Matt Bianco, uma banda pioneira nos cruzamentos de estilos.