Palácio reabre 15 anos depois

Ao abrigo do programa «A Figueira vai ao Palácio» já é possível visitar a Vila Madalena, mais conhecida como o Palácio Sotto Maior.

A vivenda de estilo francês, cercada por um amplo jardim, foi mandada edificar pelo abastado Joaquim Sotto Maior, natural de Valpaços. O desenho é de um arquiteto francês e a construção, iniciada em 1900, só terminou 20 anos depois.

O comerciante, que apoiava os artistas, reuniu naquele palácio uma importante coleção de arte, de nomes como António Ramalho, Dórdio Gomes ou Joaquim Lopes, sendo que alguns dos quadros expostos são réplicas de obras do Museu do Louvre, em Paris.

As várias salas ricamente mobiladas e corredores guardam muitas histórias. Por exemplo, a do escritório de Joaquim Sotto Maior, que tinha uma tela nas paredes que provocava insonorização, quando as portas se fechavam. Ou a do queimador de incenso chinês centenário, em forma de peixe dragão, dissipava o cheiro a tabaco da sala de fumo ou de café. Ou do lustre, na sala de jogos que ajudava ao bluff. Ou do vitral de 1926, importado de Paris, que representa Hera, deusa da fidelidade conjugal e pelo qual se tem de passar para aceder ao segundo piso nobre, onde eram os quartos, do casal e das filhas. Os quartos dos filhos eram num piso superior, sendo necessário usar uma escada de serviço, permitindo aos rapazes sair sem ser vistos, ao contrário das raparigas.

Na sala de banho principal e sanitário destaca-se o lavatório parisiense pintado à mão e os penicos de louça de Sacavém. Especial destaque merece a sala de dança e a estátua de Orfeu, com ar enlevado pela música, à saída.

Nos últimos 15 anos, este palácio, propriedade da Sociedade Figueira Praia, detentora e gestora do Casino Figueira, esteve fechado para obras de reabilitação.

Nos anos 1980, por iniciativa e encargo de José Pires de Azevedo, professor de filosofia e grande impulsionador da reabilitação e dinamização da casa, chegou a acolher um programa de visitas guiadas.

O palácio pode agora ser visitado até ao final do mês, e a entrada é gratuita, com visitas de hora a hora (das 10h00 às 18h00 (manhãs de sexta reservadas para a infância, encerrando à segunda-feira. Reservas: podesaber.patrimonio@gmail.com).

Se tiver sorte, vai encontrar a guia Frederica Jordão, responsável pela Pó de Saber – Cultura e Património que, nos programas para a infância, encarna a personagem de Madalena Mensa Sotto Maior, dona da casa, com direito a trajes de época.