Quadros Vivos de Caravaggio em Lisboa

Quadros Vivos de Caravaggio apresenta-se em maio na Igreja de São Roque e recria em palco 21 obras do pintor italiano ao som de música sacra da época (requiem). Com encenação de Ricardo Barceló, a apresentação ao vivo de várias obras de Caravaggio decorre em 10 sessões.

Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610) pintou, fundamentalmente, temas religiosos. Nos seus quadros, em vez de adotar figuras etéreas delicadas e perfeitas para representar acontecimentos e personagens bíblicos, preferia modelos mais próximos das figuras do povo, procurando a realidade crua, palpável e quase sensorial da representação.

Esta representação da irredutibilidade humana incorporava a imperfeição e o mundano em cenas cruas, características estas que distinguem inequivocamente as obras de Caravaggio.

“A Flagelação de Cristo” e “A Anunciação” são algumas das obras do pintor italiano a apresentar na Igreja de São Roque sobre a forma de Quadros Vivos.

O género quadros vivos – traduzido do francês tableaux vivant -, teve sua popularidade entre 1830 e 1920. Tipicamente, o elenco de personagens representava, em palco, cenas da literatura, da arte, da história ou da vida quotidiana.

Içada a cortina, os modelos permaneciam estáticos e em silêncio durante cerca de trinta segundos. Era colocada profunda enfâse na encenação, pose, traje, maquilhagem, iluminação e, sobretudo, expressão facial dos modelos. Por vezes, um poema ou música acompanhava a cena.

A dramatização que é levada à cena na Igreja de são Roque recria em palco uma sequência completa de obras do pintor italiano, que se vai construindo e desconstruindo ao ritmo de um trabalho de luz que emula o efeito luminoso característico das obras de Caravaggio.