Qualidade de Movimento e Máquinas vs Treino Funcional

Confusões! Conceitos! Importância! Algumas regras (bases)!

Confusões

Quando falamos em qualidade de movimento a associação ao treino funcional é inevitável, contudo existe ainda demasiada confusão quanto ao conceito de treino funcional.

Muitas pessoas caracterizam treino funcional simplesmente como aquele que é executado em cima de superfícies instáveis, como por exemplo bosus, bolas de fitness ou outros acessórios, até porque são objetos que estão na “moda” neste momento.

O tipo de treino em bases instáveis, pode eventualmente ser incorporado num programa de treino, numa determinada fase do planeamento, mas isso não significa que fazer agachamentos num bosu, seja por si mesmo um exercício funcional.

De uma forma simples, mas objetiva irei de seguida definir treino funcional.

Treino Funcional – é todo aquele que dá resposta aos objetivos atingir.

FUNCIONAL = APLICÁVEL = ÚTIL = RESPONDE ÀS NECESSIDADES

agachamento
             FIG. 1 – Agachamento sem qualidade de movimento = risco de lesão

Se queremos ganhar algum equilíbrio e temos condição física para o fazer, executar o agachamento numa base instável, poderá ser útil. Mas, se o objetivo for aumentar os nossos níveis de força, não me parece ser o melhor exercício, nem de todo o mais seguro.

Muitas vezes assistimos a treinos onde as pessoas realizam exercícios com vários “acessórios” ao mesmo tempo, contudo este tipo de treino, de funcional pouco ou nada terá, apenas se poderá considerar funcional se o seu objetivo for preparar pessoas para o “circo”, o que penso não serem as motivações da maioria das pessoas.

Então, o que será qualidade de movimento?

De uma forma simples, é a execução de uma habilidade motora com os padrões de movimento corretos (técnica), com objetivo de ser eficiente e evitar lesões.


Bases/Importância para uma boa qualidade de movimento

Tal como referido anteriormente, uma habilidade motora implica padrões de movimento corretos para poder ser realizada de forma eficiente e sem correr o risco de lesões. Desta forma, será fundamental construirmos uma base sólida, sustentada na consciencialização do movimento (padrão de movimento), mobilidade (amplitude articular) e estabilidade (força).

Começando com exercícios centrados na mobilidade, estabilidade, controle motor e em padrões de movimento completos, poderemos construir uma plataforma consistente para potenciar as qualidades físicas básicas (força, velocidade, resistência, agilidade, potência) e as habilidades específicas de cada modalidade e/ou atividades diárias.

Existem sempre duas opções:

a) podemos ter uma base de movimento medíocre e ainda assim conseguir render na competição, com algumas lesões pelo meio. Podemos ter uma base de movimento pouco eficiente e ainda assim perder gordura. Podemos ter uma base de movimento muito desequilibrada e ainda assim ter uns músculos bem definidos para exibir.

b) podemos ter uma boa base de movimento que contribuirá para viver e envelhecer com mais saúde. Podemos ter uma base de movimento consistente para aumentar a longevidade enquanto desportista. Podemos ter uma base de movimento estável para diminuir a incidência de lesões músculo-esqueléticas.

 

Máquinas vs Treino Funcional

máquinas
              Fig. 2 – Exercício de um grupo muscular (quadríceps)

Quando baseamos o nosso treino na utilização de máquinas, poderemos enfrentar algumas limitações. No treino com máquinas isolamos músculos, ou seja, não conseguimos que exista uma interação entre os vários grupos musculares. As máquinas têm limitação em recriar variações no desenvolvimento da força utilizando todas as unidades motoras, restringem igualmente a amplitude de movimento em determinadas articulações, o que retarda a aprendizagem motora para um rendimento máximo e pode criar padrões de movimento prejudiciais para a performance e para a prevenção de lesões.

Podemos desta forma aferir, que para a maioria das atividades diárias e desportivas as máquinas limitam o movimento natural de vários músculos.

Se queremos dar resposta às necessidades das atividades diárias e desportivas na nossa vida, teremos que desenvolver capacidades físicas e coordenativas em ambientes semelhantes aos que normalmente interagimos, através de movimentos complexos e não de exercícios isolados sem qualquer aproximação à função.

Assim, quando traçamos um programa de treino não podemos esquecer quais os objetivos inerentes ao mesmo. Quando as pessoas praticam exercício físico, podem ter objetivos diferenciados como por exemplo melhorar composição corporal, aumentar os níveis de força, aumentar a resistência, etc. Temos que perceber a finalidade dos exercícios e não apenas olharmos para a aparência dos mesmos.

Apesar do que foi mencionado anteriormente, as máquinas poderão ser funcionais em várias perspetivas, a nível de exemplo, para os culturistas, para pessoas que apenas pretendem maximizar a hipertrofia muscular e pessoas em fase de reabilitação. Mais uma vez repito, será importante perceber qual o objetivo pretendido e qual o estado físico inicial em que se encontra a pessoa.

É essencial compreender que este tipo de funcionalidade pode ser importante para a população mencionada, mas com certeza não o será o mais indicado para a maioria das pessoas que frequentam ginásios e fazem exercício ao ar livre.

Resumindo, será importante conhecer a pessoa (consciencialização de quem sou?), saber as suas motivações (onde pretendo chegar?) e só depois traçar qual o programa mais adequado para concretização dos objetivos pretendidos. O que é mais funcional para uns, poderá ser pouco ou nada funcional para outros.

Termino com uma convicção: qualquer exercício realizado sem qualidade de movimento, não será com certeza funcional.

“MOVIMENTE-SE COM QUALIDADE”

Bons Treinos