Quando os filhos se vão…

Seja para viver fora de casa; seja para estudar dentro do país ou no estrangeiro, os pais que por cá ficam falam na síndrome do ninho vazio. Ah…a falta que os filhos fazem, quando se vão!

Sim, a síndrome do ninho vazio existe e pode levar alguns pais à depressão, alertam os especialistas. E, se por um lado, a receita é transmitir confiança aos filhos e deixá-los voar, por outro, é importante os pais perceberem que há projetos que podem pôr em prática. E quanto mais cedo se consciencializarem disto, melhor!

Além disso, existe um fato que agrava ainda mais a situação no caso das mulheres já maduras: a menopausa. Esta, por sua vez, faz com que a mulher se sinta envelhecida, sem função reprodutora, com autoestima baixa e cuja imagem refletida no espelho não lhe agrada mais, resultando numa mulher emocionalmente abalada. A personalidade de cada indivíduo também influencia o modo como a separação é encarada, sendo que indivíduos mais dramáticos sofrem mais.

No fundo, o que se verifica é que, embora já seja certo que esta separação irá ocorrer, ninguém está preparado, de facto, para ela. Sempre que arranca mais um concurso nacional de acesso ao ensino superior, altura em que muitos jovens optam por escolher cursos ou escolas que ficam longe da casa dos pais, muitos pais já estão a deitar as mãos à cabeça. Especialmente as mães – sejam mães galinhas ou não!

Os pais portugueses promovem pouco a autonomia dos filhos, lembrando o estilo mediterrânico que parece que “temos de estar muito juntos para sermos felizes enquanto há outros estilos parentais que promovem mais a autonomia”, lembram alguns especialistas.

O que ocorre, em muitos casos, é que os pais continuam com as suas vidas muito focadas e centradas nos filhos. Para a psicóloga Adriana Sartori, mestre no tema pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, no Brasil, a síndrome do ninho vazio começa como uma tristeza leve e pode evoluir até a depressão. “Só se pode falar em SNV quando esse sofrimento se estende por mais de seis meses e impossibilita os pais de continuarem sua rotina com o mesmo prazer que tinham antes dos filhos saírem”, menciona a psicóloga.

A síndrome é ainda difícil de ser diagnosticada, pois costuma ocorrer simultaneamente a outros processos desafiantes – como a reforma, o envelhecimento e o adoecimento dos próprios pais – acabando por causar algumas dúvidas no momento do diagnóstico.

Mas não são só os pais que sofrem, os filhos também. Não faltam casos de jovens que se sentem inseguros quando deixam a casa dos pais: “E se não consigo pagar a renda? E se algo corre mal? E se a minha mãe passar o tempo todo a ligar-me? E se o meu pai ficar zangado pela decisão que tomei?” – estas são algumas das perguntas que atormentam muitos deles.

Recomendações: desde que os filhos são pequenos é importante prepará-los para serem autónomos e responsáveis: ensiná-los a cozinhar, a passar a roupa, a gerir o dinheiro. Depois, na hora de sair, resta encorajar, dando apoio e força.