ANDAR-nas-RAIAS

Afluentes Ibero-Afro-Americanos de Arte e Pensamento em Vila Nova de Famalicão

Realizou-se nos passados dias 23 a 26 de maio, na Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão, a 7.ª edição do encontro internacional Raias Poéticas – Afluentes Ibero-Afro-Americanos de Arte e Pensamento.

Com curadoria do poeta Luís Serguilha, organização da Associação Raias-Poéticas, teve o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão. Estiveram presentes professores, escritores, poetas, tradutores, críticos, ensaístas e artistas, de países como Portugal, Brasil, Angola, Espanha e a Galiza.

Segundo palavras de Luís Serguilha, “as raias intensificaram e intensificam as conexões estéticas éticas, as reviravoltas moleculares, a transgeografia linguística, as estéticas do esquecimento como memória-ontológica-futurível, sim, um acontecimento indizível a partilhar ritmos problemáticos do sensível, partilhar o acontecimento estilizador da existência, actualizando a vitalidade do desejo (…). Porque a ARTE é memória-mundo a resistir aos microfascismos, é cartografia de relações de forças que rasgam dentro de nós os sistemas produtores de medo! A ARTE experimenta as potências de diagramas insaturáveis, experimenta radicalmente a existência. A ARTE é experimentação do insatisfazível. A arte torna a vida intensiva! Com a arte buscamos o infinito em cada perspectiva entre correntezas violentamente musicais e silenciosas! RAIAS assumem a sua própria liberdade ao acelerarem seus devires por meio do espírito dionisíaco!”

HAJA RAIAS!

Cartografias aberrantes, turbulentas, plissadas, labirínticas, heterogéneas, ANORGÁNICAS (FAZER um CORTE no CAOS),

ANDAR-nas-RAIAS, no intermezzo, no entre-dois: tornar visível o invisível, tornar audível o imperceptível, tornar dizível o indizível, o intraduzível!

Haja cirandas estéticas-éticas-hápticas!

Haja pensamentos intensivos e potências do impensado!

Haja diferenças, experimentações e acontecimentos críticos!

Haja paradoxalidades, contágios, alegria dos encontros, composições afectivas!

Haja tempo puro, conexões-desejantes, dobras heterogéneas!

Haja línguas analfabetas-agramaticais e sombras expressionistas

Haja inconsciências, a-consciências, afectologias, complexidades!

Haja problematizações, transgeografias, topologias intempestivas!

Haja sensações, coexistências de loucuras que dizem SIM à vida!

Haja forças singulares, alógicas, aformais: haja corpos indomáveis!

Haja devires, espaços lisos e processos em variação!

Sentir os lances do acaso e mergulhar no IMPERCEPTÍVEL!!

Para o ano haverá mais!