Viva o S. João – As origens da festa

A Festa do S. João no Porto é um marco da vida da cidade, reunindo milhares e milhares de turistas e visitantes que participam nas diversas iniciativas que acontecem ao longo de mais ou menos um mês e que culminam na noite de 23 para 24 de junho. De onde vem a grandeza desta festa?

O S. João é o rei da festa que acontece no Porto, na noite de 23 para 24 de junho. Mas é caso para perguntar: qual S. João? Sim, porque, segundo rezam algumas crónicas, o S. João que deu origem à festa não foi o Batista, mas um eremita, nascido na cidade, no séc. IX, antes da nacionalidade. Este João terá vivido a sua condição de eremita na cidade galega de Tuy, onde foi sepultado. Rezam as lendas que a sua cabeça terá sido trazida, no séc. XII, para o Porto pela rainha Mafalda, mais concretamente para a Igreja de S. Salvador da Gandra e que parte dessa relíquia teria sido depositada na capela da “Santa Cabeça”, na Igreja de Nossa Senhora da Consolação.

A verdade é que, na atualidade, o João que se festeja é S. João Baptista, como bem mostra a iconografia de muitos cantos e recantos da cidade e a tradição da Igreja Católica que nesse dia festeja o nascimento de São João Batista. Note-se, todavia, que S. João Batista não é, como tantas vezes se diz erradamente, o padroeiro da cidade. Tal título cabe a Nossa Senhora da Vandoma, como, aliás, consta no brasão da cidade.

O caracter festivo e popular desta festa tem uma longa tradição. A primeira alusão a estes festejos é feita no séc. XIV, pelo cronista do reino, Fernão Lopes, que, tendo-se deslocado ao Porto na véspera do S. João para preparar uma visita do Rei, deixou escrito na Crónica que era um dia em que se fazia no Porto uma grande festa, descrevendo como era vivida pelas gentes do Porto. No séc. XIX, os jornais relatam a presença de milhares de pessoas nos festejos, entre os Clérigos e a Rua de Santo António. Mas foi com a implantação da República (que obrigou todos os concelhos a ter um feriado municipal) que o dia 24 de junho, dia de S. João, se tornou dia de Feriado Municipal da Invicta. Tal escolha aconteceu através de um “referendo” aos portuenses, promovido pelo Jornal de Notícias, sendo a opção entre o 1.º de Maio (o Porto sempre foi considerada a cidade do trabalho) e S. João. Ganhou o santo, ou seja, a folia e a festa!

Mais diz a história que, em outro tempo, era também no dia de S. João que a Câmara Municipal do Porto se reunia em Assembleia Magna (que corresponderia à atual Assembleia Municipal), no Claustro do Mosteiro de S. Domingos, onde se procedia à eleição dos Vereadores e se tomavam as decisões mais importantes para a cidade.