Serralves está em festa

Este é o maior evento da cultura contemporânea em Portugal e um dos maiores ao nível internacional, com centenas de atividades a decorrer nos vários espaços da Fundação de Serralves. Ao longo dos anos tornou-se ponto de passagem obrigatório para milhares de visitantes portugueses e estrangeiros e em 2018 bateu todos os recordes de público ao receber mais de 249 mil visitantes.

O Serralves em Festa propõe celebrar Serralves, que este ano celebra o seu 30º aniversário, como um espaço inclusivo de cultura contemporânea, incorporando ainda o pensamento e práticas ligadas à reflexão sobre o meio ambiente e a paisagem. A assinalar a 16ª edição do Serralves em Festa, um evento anual que mobiliza a região e o País, em 2019 a programação incluirá projetos performativos apresentados em espaços não convencionais ou em diálogo com determinados locais da Fundação de Serralves, nomeadamente o Foyers do Museu e do Auditório, a Casa e o Parque de Serralves.

Nesta edição é adotado o tema “Celebrar Serralves”, com o objetivo de assinalar o percurso que a Fundação tem tido desde 1989 bem como de lançar metas ambiciosas para melhor perspetivar e cumprir o compromisso de serviço público que incorporam a sua Missão.

A 16ª edição segue com o envolvimento estreito de autarquias de todo o país na programação do SERRALVES EM FESTA. Esta é mais uma forma de dinamização das parcerias que Serralves estabelece com dezenas de Câmaras Municipais, um aspeto relevante da missão da Fundação. Neste contexto, estão representados na programação projetos artísticos provenientes de Aveiro, Barcelos, Coimbra, Guimarães, Matosinhos, Ovar, Porto, Santa Maria da Feira, S. João da Madeira, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Gaia.

A programação do SERRALVES EM FESTA integra propostas que ilustram a interação das artes visuais com as artes performativas, apresentadas numa relação estreita e integrada com as atividades regularmente desenvolvidas no Museu e no Parque de Serralves. Estão representadas as áreas disciplinares da Música, Dança, Performance, Circo Contemporâneo, Teatro e Fotografia, entre outras. Na edição de 2019 destacam-se a continuidade na aposta na programação destinada a crianças e famílias, que acontece ao longo de todo o fim-de-semana.

As exposições Joana Vasconcelos – I’m your mirror, Susan Hiller – Coleção de Serralves, Antoni Muntadas – Coleção de Serralves, Olhar aprendiz – as múltiplas formas do olhar: projeto anual com escolas e Joan Jonas estarão abertas em contínuo para receber todos os visitantes.

O SERRALVES EM FESTA inicia às 18 horas de dia 31 de maio, com uma conferência proferida pelo prestigiado curador italiano Francesco Bonami com o título POST: THE WORKS OF ART IN THE AGE OF SOCIAL REPRODUCIBILITY. Numa iniciativa da leiloeira Phillips e da Escola das Artes (UCP) em parceria com a Fundação de Serralves, Bonami refletirá sobre as “obras de arte na idade da sua reprodução social”, em diálogo com o diretor do Museu de Serralves,Philippe Vergne.

OS DESTAQUES DE 2019

Alguns destaques desta edição na área da música:

HHY & The Macumbas vs. Adrian Shwerwood present MELTDOWN

Os HHY & The Macumbas são um coletivo fundado em 2009 por Jonathan Uliel Saldanha e tem no seu núcleo duro músicos fundamentais da cena musical portuense: Filipe Silva, João Pais Filipe, Brendan Hemsworth, Frankão, Álvaro Almeida e André Rocha, assim como uma rede expandida de colaboradores e músicos que participam nos ensembles mais alargados.

O álbum de estreia, “Throat Permission Cut”, que se encontra esgotado, foi descrito como “ecstatic-free-dub”.“Beheaded Totem” é o novo disco do grupo, em que o ensemble continua a desenvolver a sua linguagem singular onde repetição, percussão, eletrónica e sopros interagem dentro de um cosmos onde Sun Ra e Xenakis coabitam com as linguagens do techno e do dub. Para o Serralves em Festa os Hhy & The Macumbas apresentam uma colaboração especial com Adrian Sherwood.

Black Bombaim

Black Bombaim roubaram o seu nome aos Mão Morta, o groove do baixo aos Sleep, o fuzz da guitarra ao Hendrix e a bateria em modo locomotiva aos Earthless. Como os Sex Pistols, com o que roubaram fizeram algo novo e próprio. A acrescentar à colaboração que mantém com o grande saxofonista do free jazz europeu Peter Brötzmann, trazem a Serralves uma recente colaboração com um outro saxofonista: Pedro Sousa, um dos mais destacados nomes nacionais da música improvisada livre e desalinhada com raízes que se entreveem no jazz, no rock ou no noise.

Elephant 9

Já alguém apelidou os Elephant9 de “monstro musical”. Mas a melhor expressão para a caracterização desta banda norueguesa está, muito provavelmente, ainda por encontrar. Definir o seu som como jazz-rock progressivo/neopsicadélico é apenas mais uma tentativa que fica aquém da complexidade da sua música, difícil de encaixar num tempo ou num estilo. Entre as referências e influências citadas encontramos os Tangerine Dream, Jimi Hendrix, John Coltrane, Deep Purple, Soft Machine, King Crimson ou Fela Kuti, todos eles artistas conhecidos pela forma como abandonaram as regras e, em resultado, venceram os testes do tempo.

MC Carol (M04)

O funk da brasileira MC Carol, também conhecida como Carol Bandida ou Carol de Niterói, é irreverente e sincero, abordando temas sociais e políticos, ou simplesmente o quotidiano das favelas, de uma forma descomplexada e até bem-humorada. Considerada como um dos nomes fundamentais do funk brasileiro, é também reconhecida como ativista pelas causas feminista e da luta contra o racismo.

Em 2012, MC Carol conheceu um enorme sucesso com músicas como “Minha vó tá maluca” ou “Não foi Cabral” onde questiona o modo como vemos a colonização e as raízes do Brasil. A música é a forma de Carol fazer política e este engajamento, aliado às experiências de vida como uma tentativa de feminicídio de que foi alvo em 2018, fez com que a artista se tornasse uma militante dos direitos das mulheres e dos negros, e, inclusivamente, se candidatasse a Deputada Estadual nas eleições do ano passado.

Já este ano, após o lançamento do single “Mamãe da Putaria”, música com Tati Quebra Barraco e Heavy Baile, a artista tem estado a trabalhar no seu novo álbum, que vai apresentar em vários países europeus, marcando presença no Serralves em Festa.

As artes performativas certamente ficarão marcadas pelas exibições de:

“Mirror Piece II “, de Joan Jonas

Espelhos longos e pedaços de vidro são transportados com cuidado e lentamente pelos performers num esquema coreografado. Os espelhos funcionam como objetos de tarefas e ações e, ao mesmo tempo, fragmentam o espaço da performance, capturando e refletindo continuamente os espetadores presentes.

Apresentada pela primeira vez em 1970, a peça Mirror Piece nunca foi registada em filme. Jonas, figura central da performance de meados dos anos 1960, baseou a sua reconstrução em apontamentos e fotografias, partindo do sentimento da peça original. Esta nova versão será recriada por Joan Jonas, acompanhada por Nefeli Skarmea e contará com a participação de quinze performers, recrutados localmente.

Em articulação com a exposição “Joan Jonas”, no Museu de Serralves, serão apresentadas as recriações das peças Mirror Piece I&II, no Auditório de Serralves.

“The Big Show Sef”, Miguel Pereira 

The Big Show SEF é um espetáculo de variedades que pretende celebrar os 16 anos do Serralves em Festa. Recorrendo às memórias, testemunhos e sensações de atores e espetadores que construíram, ao longo de 16 edições, a fantástica história do Serralves em Festa, o criador e interprete Miguel Pereira criará, com a cumplicidade e a presença de muitos convidados, um momento festivo e esfuziante, que faça jus ao espírito do festival.

“Cribles Live Porto”, conceção e coreografia: Emmanuelle Huynh / Música: Iannis Xenakis

Cribles / Live Porto, de Emmanuelle Huynh, une onze intérpretes, da Companhia Instável, e seis músicos em palco, o Ensemble Drumming, dirigido por Miguel Bernat, apoiados sobre uma sólida composição coreográfica que tem como protagonista a obra de Iannis Xenakis. Os músicos, segundo o dispositivo inventado por Xenakis, circunscrevem a cena, rodeando bailarinos e espectadores. A espacialização da música e a escrita da partitura instauram assim uma terceira dimensão no espaço teatral que resulta desta relação de energias em consequência do seu efeito sonoro mas também da força e determinação dos corpos dos intérpretes envolvidos. “Vemos música ou ouvimos dança?”

“Rue” e “Ciel”, Volmir Cordeiro

“Céu” foi o primeiro solo que o coreógrafo e bailarino Volmir Cordeiro assinou como autor e onde procura experimentar a personificação de outras vidas condenadas ao desaparecimento, à exclusão e à marginalidade. Através de um processo de intensificação da memória de corpos de mendigos, camponeses, prostitutas e imigrantes, Volmir dança a energia e o vigor desses seres anónimos, presenças isentas do desejo de possuir um nome ou conquistar uma autoridade social.

Em “Rua”, Volmir Cordeiro encarna múltiplos corpos e rostos. O espaço, percorrido e atravessado pelo bailarino, redesenhado pelos seus movimentos, converte-se numa abstração aberta, enquanto condensa no seu corpo as mais diversas e marginais personagens da fauna urbana. Volmir constrói a sua coreografia a partir de poemas sobre a guerra de Bertolt Brecht, através de uma dança de pensamento e de corpo, encarnando uma plêiade de fantasmas que vagueiam no espaço selvagem da rua.

“La Spire “, Chloé Moglia / Cia Rizhome

“La Spire” nasceu do desejo de Chloé Moglia implementar a suspensão tendo o céu como cenografia e organização espacial. A artista idealizou uma estrutura-escultura, leve e monumental, materializada numa espiral de fio de aço, formando três loops sucessivos de sete metros de diâmetro, com cerca de dezoito metros de comprimento. Nesse espaço de suspensão e suspense, habita um grupo de mulheres, seis acrobatas que convidam o público a seguir a evolução ascendente desta espetacular acrobacia aérea. Força, energia, tenacidade e determinação coexistem com delicadeza e sensibilidade. Marielle Châtain, música multi-instrumentista, acompanhada com o seu saxofone barítono e algumas máquinas de som, contribui para desenhar o espaço e o tempo musical da La Spire.

As famílias e sobretudo os mais novos não sairão desapontados pelas presenças de:

Poldercoaster

PolderCoaster é um espetáculo de teatro de rua enérgico, hilariante e altamente interativo. Nele, quatro artistas fazem de tudo para oferecer a duas pessoas do público a experiência mais inesperada e impressionante das suas vidas: uma prova de teste no protótipo PolderCoaster! Com a participação de dois membros do público, vão criar vários momentos e efeitos que desencadeiam uma aventura descontrolada e excitante. O espetáculo PolderCoaster é o elo perdido entre o teatro de rua e os parques de diversão. Uma versão absurda e teatral de uma montanha-russa de baixa tecnologia, movida a força muscular, que segue um caminho cheio de emoção, suspense e reviravoltas.

Con Tenda

Desde 2015 que a Compañìa Rampante tem levado a todo o mundo, e com enorme sucesso, o seu espetáculo “Con Tenda”, participando em inúmeros festivais de artes performativas. Neste espetáculo, somos confrontados com um casal de acrobatas/atores, um dueto de chapéus mágicos, uma grande roda que gira a criar uma nova forma de interação entre corpos. Esta companhia encontra uma nova linguagem física, sem o uso das palavras para criar uma atmosfera mágica, de comédia e interação pública, que inclui teatro, acrobacia, dança e clown, numa performance que constrói o seu próprio código universal, capaz de emocionar e divertir pessoas em qualquer lugar do mundo.

A Estranha Viagem do Sr. Tonet

O Sr. Tonet é uma personagem fascinante, que viveu histórias fantásticas que a Tombs Creatius decidiu partilhar. Para esse objetivo, a companhia catalã construiu 10 jogos em 10 caixas. Em cada caixa é apresentada uma das muitas histórias do Sr. Tonet, que dá a conhecer um mundo de sons, luzes e movimentos, utilizando materiais como madeiras, paletes, móveis antigos e diferentes utensílios descobertos, recolhidos e reciclados. A Tombs Creatius é composta por autênticos artesãos de experiências, que promovem o engenho e a diversão, empenhando-se em criar desafios criativos, sempre com uma estética muito cuidada.

Ao longo de todo o Serralves em Festa, em diferentes horários decorrerão ainda inúmeras visitas orientadas ao parque, aos magníficos espaços arquitetónicos de Serralves, às exposições, às muitas esculturas que estão distribuídas por todo o parque e outras visitas temáticas, uma delas dedicada aos segredos e lendas que habitam este espaço. Também a oferta de oficinas será vasta: oficinas sobre exposições e outros temas, oficinas em língua gestual portuguesa e outras para pessoas com necessidades educativas especiais.