Serralves homenageia Susan Hiller

João Penalva acompanhou de perto a trajetória de Susan Hiller, cuja obra estabelece um intenso diálogo com o seu trabalho. Com o objetivo de homenagear a artista, a Fundação de Serralves integra na exposição SUSAN HILLER - COLEÇÃO DE SERRALVES, com base na instalação interativa da própria artista Die Gedanken sind frei [Os pensamentos são livres], de 2012, uma conversa que partirá de um depoimento muito pessoal do artista João Penalva.

A obra Die Gedanken sind frei [Os pensamentos são livres], de 2012 integra a Coleção da Fundação de Serralves – Museu de Arte Contemporânea, Porto. Doação da artista em 2013.

“Estas músicas são as minhas caixas de madalenas e acenderam muitos momentos espontâneos de lembranças, como canções de amor ouvidas por acaso e que instantaneamente recriam a essência de um verão distante. Sempre que eu ouço uma destas canções, abre-se uma abertura no quotidiano ordinário e o passado emerge abruptamente. A História invade”.

Susan Hiller sobre a obra Die Gedanken sind frei [Os pensamentos são livres], de 2012

A obra de Susan Hiller foi objeto de uma exposição monográfica em Serralves, em 2005, que traduziu a importância histórica do seu trabalho iniciado na década de 1970, a par das suas pesquisas mais recentes no domínio do vídeo, do som e da ficção. Na sua prática, a artista conseguiu aliar a herança da arte conceptual e sistemas de conhecimento e cosmogonias alternativos (rituais místicos, fenómenos paranormais e forças  sobrenaturais).

Em 2013, a Fundação de Serralves integrou na sua coleção uma das obras mais impactantes da artista. A instalação interativa de Susan Hiller Die Gedanken sind frei [Os pensamentos são livres], de 2012, foi originalmente apresentada na Documenta 13 desse ano. A partir de uma jukebox, o público pode escolher ouvir, sentado em bancos desenhados pela artista e na ordem que entender, 100 canções de teor político colecionadas por Susan Hiller. As músicas são originárias de várias geografias e de culturas muito diversas, desde a Guerra dos camponeses na Alemanha de 1524–25 até à Primavera Árabe de 2011. As letras das canções podem ser encontradas nas paredes que rodeiam a jukebox e também é disponibilizado ao público um livro “cancioneiro” que compila letras de músicas, textos e imagens selecionados pela artista.