Sopro e Como ela morre em Guimarães

Em maio, o teatro tem honras de destaque na programação do Centro Cultural Vila Flor (CCVF) com a apresentação de Sopro e Como ele morre, dois espetáculos de Tiago Rodrigues com os quais o CCVF volta a dar ao público a oportunidade de olhar para a obra de um artista de forma mais profunda e menos dispersa do que habitualmente as programações são capazes.

A 4 e 5 de maio o público vai poder ver duas das mais recentes criações de Tiago Rodrigues – ator, dramaturgo e encenador, atual diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, cujo teatro subversivo e poético o afirmou como um dos mais relevantes artistas portugueses.

Cristina Vidal é ponto do Teatro Nacional D. Maria II há mais de 25 anos. Como tantos outros trabalhadores que fazem teatro sem nunca pisar as tábuas diante do público, manteve-se nos bastidores. Até que o encenador Tiago Rodrigues passou também a dirigir o teatro nacional e decidiu criar Sopro a partir da sua experiência. A ponto passa para o centro da cena.

Tendo estreado no Festival d’Avignon, Sopro foi descrito pelo jornal francês Le Figaro, como “uma homenagem vibrante ao teatro e àqueles que o fazem”. Neste espetáculo, Cristina Vidal, guardiã de uma profissão em vias de extinção, aparece pela primeira vez sob os holofotes, acompanhada por cinco atores – Beatriz Brás, Isabel Abreu, João Pedro Vaz, Sofia Dias, Vítor Roriz – e centenas de fantasmas. Consigo, são evocadas as histórias reais e ficcionais de um teatro agora em ruínas.

Sopro sobe ao palco do Centro Cultural Vila Flor na noite de sábado, 4 de maio, às 21h30. No domingo, às 17h00, o Grande Auditório do CCVF recebe Como ela morre, coprodução internacional do Teatro Nacional D. Maria II com a companhia belga tg STAN – que já passou por Guimarães em 2016 com a sua versão de O Ginjalde Tchékov. É também a partir de um clássico russo que se constrói este espetáculo, inspirado por Anna Karenina, obra-prima de Tolstói, e pela forma como o romance pode mudar as vidas dos seus leitores e transformar o modo como a personagem central morre. Como ela morre reflete sobre o amor, a traição ou a felicidade, a partir da história de dois casais em crise, um português (Isabel Abreu e Pedro Gil) e outro belga (Jolente de Keersmaeker e Frank Vercruyssen) com Anna Karenina pelo meio. As duas histórias correm em paralelo, em espaços e tempos diferentes, mas unem-se pela leitura simultânea do livro em palco, numa apologia do poder da literatura.

Desde que começou a trabalhar como ator, há 20 anos, Tiago Rodrigues tem sempre abordado o teatro como uma assembleia humana: um local onde as pessoas se encontram, como num café, para discutir as suas ideias e partilhar o seu tempo. Cruzou-se pela primeira vez, quando ainda era estudante, em 1997, com a companhia tg STAN, confirmando o seu vínculo ao trabalho colaborativo sem hierarquia. A liberdade que encontrou quando começou a trabalhar com este coletivo belga viria influenciar para sempre os seus trabalhos futuros. Em 2003, cofundou a companhia Mundo Perfeito com Magda Bizarro, na qual criou e apresentou cerca de 30 espetáculos em mais de 20 países. Paralelamente ao seu trabalho em teatro, escreveu argumentos para filmes e séries televisivas, artigos, poesia e ensaios. Com as suas peças mais recentes, obteve um reconhecimento internacional alargado e diversos prémios a nível nacional e internacional. By HeartAntónio e CleópatraBovaryComo ela morre e a sua última criação, Sopro, estreada no Festival d’Avignon 2017, são algumas das suas obras mais notáveis. Quer combinando histórias reais com ficção, quer reescrevendo clássicos ou adaptando romances, o teatro de Tiago Rodrigues é profundamente enraizado na ideia de escrever para e com os atores, procurando a transformação poética da realidade usando as ferramentas teatrais. Diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II desde 2015, Tiago Rodrigues tem sido um construtor de pontes entre cidades e países e, ao mesmo tempo, um anfitrião e um defensor de um teatro vivo.

Os ingressos individuais para Sopro e Como ela morre têm o custo de 7,5 euros, existindo a possibilidade de adquirir um bilhete conjunto para assistir a ambas as peças pelo valor de 10 euros. Os bilhetes poderão ser adquiridos, como habitualmente, nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor, do Centro Internacional das Artes José de Guimarães e da Casa da Memória de Guimarães, bem como na internet em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt.