Ó tu que fumas tabaco aquecido…

Os maços de cigarros dizem claramente: “fumar mata”. Talvez por isso muitos fumadores portugueses - mais de 100 mil - "fumam" tabaco aquecido.

O tabaco aquecido, alternativa sem fumo e sem cinza, segundo a Tabaqueira, subsidiária da Philip Morris em Portugal, assenta na redução de 90% a 95% da exposição aos constituintes nocivos e potencialmente nocivos do cigarro tradicional que resultam da combustão. Avaliações externas confirmam estes dados.

Mas há quem defenda que estes produtos são prejudiciais, causam dependência e podem atrair mais jovens.

Além disso, o desconhecimento dos efeitos a longo prazo a par das substâncias tóxicas, irritantes e cancerígenas encontradas nos derivados de aerossol e dos metabolitos dos cigarros eletrónicos e do tabaco aquecido sustentam os argumentos contra este tipo de cigarros.

“Uma vez que há uma grande incerteza em relação aos efeitos a longo prazo do cigarro eletrónico e do tabaco aquecido, a legislação deve ser absolutamente restritiva e semelhante à do cigarro tradicional”, declara o médico Ricardo Fontes Carvalho, da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), ao jornal Expresso. Apesar de alguns estudos sugiram que o tabaco aquecido e os cigarros eletrónicos são menos nocivos, os resultados disponíveis referem-se apenas ao curto prazo.

Alguns aspetos, como o alívio imediato da tosse ou a redução do cansaço, parecem evidente, “mas desconhecemos ainda se continua o risco da doença cardiovascular, doença pulmonar obstrutiva crónica [DPOC], e menos ainda se reduz ou não o risco de cancro”, alerta Paula Rosa, representante da comissão de trabalho da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, ao Expresso.

Segundo Sofia Ravara, coordenadora da Unidade de Cessação Tabágica do Hospital Universitário da Covilhã e membro da Federação Portuguesa do Pulmão, “as tentativas anteriores do sector para desenvolver produtos potencialmente menos tóxicos não só falharam como aumentaram a sua toxicidade.”

O centro de inovação da Philip Morris International (PMI), na Suíça, admite que existem dúvidas sobre os estudos realizados pela empresa, mas garante não falsificar dados, estando abertos à verificação externa. O centro diz que quer continuar a desenvolver produtos de risco reduzido para que 40 milhões de fumadores tenham alternativas num prazo de sete anos, tendo já investido, desde 2008, mais de 3 mil milhões de euros em investigação e desenvolvimento de novos produtos.