Tecnologia permite diagnóstico precoce de várias doenças

Tomografia de Coerência Ótica, um dos avanços mais importantes dos últimos anos. A ciência e a tecnologia ao serviço da oftalmologia.

Trata-se de uma  tecnologia que permite o diagnóstico precoce de várias doenças, evitando a cegueira. Chama-se Tomografia de Coerência Ótica (OCT), um nome complicado que ilustra os avanços tecnológicos em oftalmologia, uma área onde a ciência tem estado verdadeiramente ao lado do doente. A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia elege a OCT como um dos mais importantes avanços dos últimos tempos. “É, sem dúvida, uma grande revolução na imagiologia médica, especialmente na área da oftalmologia, onde sofreu um desenvolvimento incrível nas últimas duas décadas”, explica João Figueira, médico oftalmologista. Tanto que, em 2012, a sua importância foi reconhecida através de um dos prémios mais prestigiados mundialmente na área da medicina e oftalmologia, o Prémio António Champalimaud de Visão, entregue aos pioneiros na aplicação desta tecnologia em oftalmologia.

Retinopatia diabética, degenerescência macular da idade, oclusões venosas da retina, buracos maculares ou glaucoma são algumas das doenças onde a OCT é “especialmente útil” para o diagnóstico e monitorização, esclarece o especialista. Uma tecnologia que, acrescenta, já “não está apenas limitada à investigação clínica em determinados centros mas, pelo contrário, está disponível para a prática clínica em hospitais, clínicas e muitos consultórios oftalmológicos do nosso país, permitindo que a maioria dos oftalmologistas tenham acesso a esta ferramenta de diagnóstico, que eu diria mesmo quase imprescindível, para o diagnóstico e seguimento de muitas patologias oculares”.

Mas afinal, o que faz a OCT e como pode ajudar os doentes? É através da emissão de uma luz no olho que, depois de refletida pela retina, é analisada e processada, que é possível obter imagens desta mesma zona. Hoje, são já imagens de alta resolução, “que permitem avaliar a microestrutura da retina como nunca antes tinha sido possível”.

Inicialmente desenvolvida para o estudo e avaliação das doenças da retina, área onde, segundo João Figueira, “continua a ter a maior aplicabilidade clínica”, esta tecnologia permite também “uma melhor resolução da coroide, que se localiza mais profundamente no olho”, aplicando-se ainda a outras estruturas oculares, como o nervo ótico e tecidos do segmento anterior do olho, como córnea, câmara anterior, íris e ângulo.

Nos últimos anos verificou-se ainda um novo avanço na tecnologia de OCT aplicada à retina, que se chama angiografia com OCT ou simplesmente Angio-OCT. “Estes novos equipamentos, com base nos dados colhidos pelo OCT e com recurso a complexos sistemas informáticos, vão identificar as zonas que apresentam movimento das células sanguíneas, o que permite obter um mapeamento de alta qualidade e definição dos vasos da circulação retiniana, da coroide e do nervo óptico, que no passado apenas era possível com recurso a exames invasivos em que eram injetados corantes nas veias dos doentes.”

As vantagens para o doente são muitas. A começar pelo facto de ser “um exame não invasivo, muito rápido e confortável, que permite obter imagens de altíssima qualidade e pormenor”. Depois, “a OCT demonstrou ser mais sensível e específica, portanto mais eficaz, no diagnóstico de muitas patologias retinianas, quando comparado com o simples exame oftalmológico ou mesmo outros exames”. A isto junta-se o facto de proporcionar “um diagnóstico mais preciso e correto, em fases mais precoces da doença, que vieram permitir um tratamento mais atempado e, por conseguinte, evitar a progressão da doença para estádios mais avançados e  graves, normalmente associados a pior prognóstico visual”, permitindo ainda “a monitorização ao longo do tempo, bem como a resposta que se vai obtendo com as terapêuticas instituídas”.

Vantagens para os doentes e vantagens para os médicos, que têm ao dispor “um exame de altíssima qualidade, muito sensível e específico para a avaliação de determinadas patologias oculares, nomeadamente da retina. O facto de não ser invasivo, e aparentemente sem efeitos secundários, permite que possa ser repetido com regularidade e portanto utilizado não só para o diagnóstico, mas também para a monitorização com a regularidade desejada no seguimento destes doentes”.