Tradição e modernidade pelo teatro brasileiro

Gente perdida num mundo em mudança, as personagens de “Imortais” lutam pelo direito ao corpo – o dos mortos e os dos vivos. Premiada e considerada uma das dez melhores peças de 2017 pela revista Bravo, o texto do ator, dramaturgo e encenador Newton Moreno será a 29 de novembro, pelas 21h30, objeto de mais uma sessão da iniciativa “Salvé a Língua de Camões”, que há quase 15 anos divulga textos dramatúrgicos contemporâneos escritos em Português. É o confronto entre tradição e modernidade visto pelo prisma do teatro brasileiro.

O teatro brasileiro sobe ao palco e confronta tradição e modernidade. A leitura encenada do texto terá lugar, como vem sendo habitual, na Casa do Bosque do Museu da Quinta de Santiago, dando também oportunidade ao público para assumir o corpo e a voz das personagens: uma mãe em luto, seguindo a tradição da cobertura da alma que os açorianos terão levado para o sul do Brasil, uma filha que recusa as coisas do passado e o namorado destas, um transsexual em mutação que espoleta as tensões acumuladas entre mãe e filha.

Problematizando a possibilidade de convívio e diálogo entre a tradição e a contemporaneidade, “Imortais” busca também respostas para uma das mais perenes questões com que o homem se confronta: o que podemos fazer que nos possa tornar imortais e superar a brevidade e contingência da vida. Segundo Newton Moreno, cabe à encenação da tradição funerária açoriana o papel de detonador destas reflexões.

Tal como foi preservada do outro lado do mar, a coberta da alma consiste em oferecer uma das roupas do defunto a um dos presentes no funeral, permitindo-lhe assumir a identidade do morto, comer e beber aquilo de que ele mais gostava e, deste modo, prolongar-lhe a vida até às missas do sétimo e do trigésimo dia. Deste modo, acreditava-se, a alma do defunto partia em paz.