Uma loucura “milionária”

"Fazem o que gostam e ganham mais num ano do que nós numa vida", esta é uma afirmação sempre presente quando o salário dos futebolistas aparece numa conversa de café quando o tema é a loucura milionária.

Tem, definitivamente, que ser considerado um mudo à parte, este (da loucura) do futebol. Mais concretamente, o dos valores envolvidos neste desporto, nomeadamente os que correspondem aos salários dos diversos praticantes. No entanto, ainda mais “ridículas” são as quantias monetárias envolvidas na compra do passe de muitos desses artistas da bola. A título de exemplo, temos a transferência galática de Neymar para Paris. Nesse caso em concreto, o clube comprador desembolsou a modesta quantia de 222 milhões de euros (duzentos e vinte e dois!).

Mas recuemos três anos, voltemos à altura em que aconteceu a transferência que parece ter despoletado esta loucura. Verão de 2015, último dia de mercado para os clubes ingleses e, sem que nada o fizesse prever, o emblemático clube de Manchester, o United, deixou nos cofres monegascos um valor que, consoante algumas variantes, poderia atingir os 80 milhões de euros. Valor este que servia para levar um miúdo francês para Inglaterra, de seu nome, Anthony Martial, um jogador que, na altura, era desconhecido do mundo em geral e começava a afirmar-se na equipa do Mónaco.

Até então, muito raras eram as vezes em que algum clube entrava nestas “pequenas” loucuras. À cabeça, surgia o Real Madrid que tinha gasto pouco mais de 90 milhões para contratar Cristiano Ronaldo, que, já havia conquistado Manchester e chegava à capital espanhola com provas dadas ao mais alto nível. Bem, certo é que a partir desse verão de 2015, qualquer “cepo” vale milhões. Vale a pena acrescentar que, desde então, já houve quatro transferências acima dos 100 milhões, excluindo a tal de Neymar.

É também praticamente impossível colocar um ponto final neste tema sem dar uma palavra aos empresários, uma “espécie” que vê nisto uma oportunidade de lucro fácil, exigindo que haja “apenas” golpe de vista para encontrar os jogadores certos atempadamente. “Quem dá 90, dá 100”. É verdade. Se o clube quer o jogador, não será por 10 milhões que o negócio será abortado. Pois bem, esses 10 milhões, vão para os bolsos do representante do atleta. Muitos apontam o dedo a estes empresários, culpabilizando-os pelo ponto a que isto chegou.

O próprio Cristiano Ronaldo está muito perto de se mudar para Itália numa transferência na qual se prevê que a Juventus desembolse 100 milhões de euros, cinco milhões a menos do que aquilo que o Barcelona gastou no último verão para garantir um miúdo de 20 anos, sem um décimo de provas dadas em relação a CR7, falo de Ousmane Dembele, um outro jovem francês. Claro que Ronaldo está a entrar numa fase descendente de uma carreira que tem roçado a perfeição, ainda assim, não valerá mais que esses “putos”?

Por fim, para bem do desporto e como hino ao desejo pela permanência da competitividade seria de extrema importância que “alguém” com poder para intervir, o fizesse. Pois, caso contrário, este desporto que tantos idolatram, corre o risco de cair no charco, de se tornar uma mera formalidade em que os mais fortes ficam cada vez mais fortes e os mais fracos cada vez mais fracos.