Universidade: pagar para auto ensino

São várias as queixas feitas pelos alunos universitários da falta de qualidade no ensino e da dificuldade de aprendizagem dos conteúdos lecionados, algo que leva muitos deles a definir a universidade como um local onde «pagamos para dar aulas a nós próprios».

Com a realização das primeiras frequências, alguns estudantes apercebem-se de que aquilo que é feito nas aulas não os prepara suficientemente bem para que possam obter uma boa nota nem para que depois da aula consigam consolidar a matéria lecionada através do estudo, uma vez que estão em falta as bases que deveriam ter sido interiorizadas na aula. Isto é uma realidade que se verifica, principalmente, nas cadeiras teóricas, embora também se manifeste em algumas das práticas.

Portanto, os estudantes são ‘obrigados’ a aprender sozinhos algo que deviam aprender nas aulas. Quando isto acontece, não espanta que muitos dos alunos percam a vontade de comparecer às aulas, visto que sabem de antemão que conseguem aprender mais se ficarem em casa ou na biblioteca a estudar do que se forem para a aula ouvir o professor a ler matéria que está projetada num PowerPoint que será depois disponibilizado na plataforma moodle. Não será o único motivo mas é certamente uma das principais razões para que, nas cadeiras em que não ocorre marcação de faltas, os alunos só apareçam para realizar os testes ou porque lhes apetece ir à aula uma vez que não têm mais que fazer.

É pois, preciso pensar nisto. Não podemos querer uma sociedade culta e cada vez mais evoluída se, ao invés de fazer com que os alunos aprendam a matéria e possam mostrar que a compreendem, se continua a insistir num modelo meramente expositivo do qual os alunos colhem poucos ou nenhuns frutos.